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A Canção de Rolando

A Canção de Rolando (La Chanson de Roland), datada do fim do século XI, início do século XII, pertence à Gesta do Rei (ou Gesta de Carlos Magno), um dos três grandes ciclos das Canções de Gesta. Das cerca de 20 canções que constituem a Gesta do Rei, A Canção de Rolando, composta por 4002 versos decassilábicos, em estrofes assonantes, é a que se destaca pela sua beleza poética e pela lenda romântica criada à volta da personagem principal, Rolando.
N'A Canção de Rolando, narra-se que Carlos Magno passou sete anos em conquistas na Hispânia (século VIII) até que Marsílio, rei de Saragoça (a única cidade que até então não tinha caído nas mãos do imperador), enviou ao rei franco uma proposta de rendição. Rolando, sobrinho de Carlos Magno e o mais famoso dos seus doze paladinos, em discussão com outros conselheiros do rei, rejeitou a proposta de rendição, relembrando as anteriores traições e crueldades de Marsílio. Em oposição ao jovem paladino, surgiu o seu padrasto, Ganelon, que era a favor da paz. Irritado com Rolando, Ganelon, que fora o escolhido para negociar os termos do tratado de rendição, urdiu com Marsílio uma armadilha contra Carlos Magno que, convencido da paz, regressou a França, deixando Rolando a comandar o exército de retaguarda. O plano resultou e, quando o Exército de Carlos Magno já estava muito longe, os Sarracenos atacaram o exército de retaguarda, no desfiladeiro de Roncesvales, e exterminaram-no. Durante o confronto, Rolando recusava-se a pedir reforços mas, quando se decidiu a soprar no corno do alarme, era tarde de mais, pois os inimigos já tinham dominado os francos. O esforço do sopro fez com que brotasse sangue da testa e da boca de Rolando, que já se encontrava ferido, o que levou à sua consequente morte. Mas antes de morrer, Rolando, não querendo deixar a sua espada Durindana, famosa pela sua rigidez, nas mãos dos sarracenos, resolveu destruí-la. Ao tentar partir a espada, esta manteve-se intacta e criou uma enorme fenda no penhasco, ainda hoje conhecida como a Brecha de Rolando (situada a 2600 metros de altura nas montanhas pirenaicas). Carlos Magno, quando ouviu soar o alarme, voltou para se vingar dos Sarracenos e para castigar Ganelon, que foi condenado e executado por traição. A noiva de Rolando, Aude, quando soube do acontecimento, morreu de desgosto, num cenário romântico, que tem por objetivo engrandecer a personagem de Rolando.
Esta história tem um fundo de verdade, já que um comandante de Carlos Magno, de nome Rolando, foi morto pelos Bascos num combate, em Roncesvales, a 15 de agosto de 778. Apesar do acontecimento ter sido pouco glorioso, a lenda fez de Rolando um mártir cristão contra o Islão. Na lenda, Rolando, filho de Berta (irmã de Carlos Magno) e do Duque Milo de Aglant, é considerado um modelo de virtude da cavalaria medieval que se distinguiu, ainda novo, pela sua valentia em guerras contra os Mouros e contra os Saxões, salvando os exércitos do imperador de desastre.
Quanto à autoria d'A Canção de Rolando, ela é discutível. Há quem considere que Turoldo é o autor da obra, visto que está reivindicada a sua autoria no último verso; outros acham que Turoldo terá sido apenas o copista do manuscrito encontrado na Biblioteca de Bodley de Oxford; e outros, ainda, que a canção, transmitida oralmente, terá sido escrita por algum trovador da época.
A Canção de Rolando, que teve uma enorme repercussão na Europa, influenciou vários artistas: Mateo Boyardo, em Orlando Enamorado (1483), Ludovico Ariosto, em Orlando Furioso (1516); Jean-Baptiste Lully, na sua ópera Orlando (1685).
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