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A Canção dos Nibelungos

A Canção dos Nibelungos, no original Nibelungenlied, é um conjunto de poemas épicos da literatura medieval alemã, de autor anónimo, provavelmente de vários, como na maior parte dos épicos populares da época.
A Canção dos Nibelungos, que retrata a fidelidade do amor de uma mulher, Cremilde, ao seu marido, Siegfried, apresenta duas grandes partes: a "Morte de Siegfried" e a "Vingança de Cremilde".
A lenda germânica relata a história de Siegfried, filho dos reis Sigmond e Siglind das Terras Baixas (Holanda), e do seu amor por Cremilde, a bela e requintada princesa da Borgonha, filha do falecido rei Dankrat e da rainha Uta. Era irmã de três reis, Gernot, Giselher e Gunther. Este último queria casar com Brunilde, a rainha amazona da Islândia, que se entregava apenas àquele que a vencesse num combate único e que tinha fama de ser mais forte do que doze homens. Siegfried prometeu conseguir-lhe a mão de Brunilde na condição de Gunther lhe dar Cremilde em casamento.
Siegfried e Gunther partiram então para o país de Brunilde. Siegfried, com uma capa, que o tornava invisível, a "Tarnkappe" (que pertencia ao anão Albérico do país dos Nibelungos), ajudou Gunther a vencer o combate com a bela Brunilde na sua Fortaleza de Isenstein.
Entretanto, Siegfried foi ao país dos Nibelungos, povo de anões governados pelo rei Nibelung, filho de Neblina, para preparar um exército para acompanhar o casamento de Gunther e Brunilde e para trazer o tesouro dos Nibelungos como seu dote. Após a dupla cerimónia dos casamentos de Gunther com Brunilde e de Siegfried com Cremilde, houve uma receção sumptuosa na corte da Borgonha. Siegfried e Cremilde voltaram para o reino das Terras Baixas e tiveram um filho a quem deram o nome de Gunther, enquanto Brunilde teve um filho a quem deu o nome de Siegfried.
Anos mais tarde, deu-se uma disputa entre Cremilde e Brunilde junto à catedral. Perante toda a corte reunida, Brunilde quis impor-se, em termos de precedência protocolar, a Cremilde e a Siegfried. Cremilde, não suportando o vexame que a cunhada lhe queria infligir, acabou por revelar-lhe a verdade, ou seja, que o seu marido não era tão valoroso quanto ela pensava, pois ele conquistou-a com a ajuda de Siegfried. Brunilde, de orgulho ferido pela humilhação pública, convenceu o temível barão Hagan, seu vassalo, a matar Siegfried. Antes de o fazer, Hagen, a pretexto de proteger Siegfried, conseguiu que Cremilde lhe revelasse qual era o local do corpo do marido que se encontrava vulnerável por não ter sido banhado pelo sangue do dragão. Quando este descobriu o segredo, matou Siegfried no momento em que, distraidamente, bebia água de uma fonte. Após a morte de Siegfried, Cremilde, cujo desejo de vingança crescia, decidiu ficar na Borgonha junto do túmulo do marido.
Na segunda parte da lenda, Cremilde, despojada do tesouro dos Nibelungos por Hagan, aceitou o pedido de casamento do rei Átila para poder levar a cabo a sua vingança. Sete anos mais tarde, Cremilde e Átila convidaram a corte de Gunther, que aceitou o convite apesar do receio de muitos dos seus nobres. Cremilde conseguiu encontrar ajuda entre os vassalos de Átila para matar o irmão Gunther e toda a corte da Borgonha. Cremilde foi morta por Hildebrand, que ficou furioso com o horror da sua vingança que levou à extinção da dinastia da Borgonha.
A Canção dos Nibelungos, talvez o poema mais famoso da cultura popular alemã da época medieval, com referências do antigo folclore germânico e da mitologia teutónica, serviu de inspiração a outras obras de vulto, tal como O Anel dos Nibelundos (ciclo de quatro óperas) de Wagner, suscitando um interesse universal pelas culturas germânicas e nórdicas.
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