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A Casa Fechada

A Casa Fechada colige as novelas O Tubarão, Negócio de Pomba e A Casa Fechada, constituindo, depois de Paço do Milhafre e Varanda de Pilatos, a terceira obra romanesca de Vitorino Nemésio. A primeira novela, O Tubarão, aparentemente um simples episódio de férias de verão, apresenta-se como uma "sucessão de momentos em que determinada figura - a da protagonista, Zilda - se encontra envolvida, muito mais do que ela supõe, num complexo jogo de forças elementares (o ar, a água, a terra, o fogo - forças "concentradas" na própria praia onde veraneia), perante as quais acabam por dissipar-se as convenções e as exigências do mundo social, cuja insignificância se vê sublinhada ora por acumulação de pormenores do quotidiano em que a "ação" decorre, ora por avulsos e súbitos movimentos de flash-back que também historicamente a situam" (MOURÃO-FERREIRA, David - prefácio a A Casa Fechada, Lisboa, Bertrand, 1979, p. 17). Negócio de Pomba, a mais extensa narrativa do volume, misto de novela de iniciação ou aprendizagem e novela de costumes, evoca a monótona vida de um escrevente, Renato, que vê a sua existência sobressaltada pela notícia de uma inesperada herança. Quanto à última novela do volume, A Casa Fechada, foi, desde o momento da sua publicação, considerada pela crítica como uma obra-prima. Voltando em segundas núpcias à casa onde vivera, Luís sente-se submergir por memórias que avivam inquietações passadas e presentes. Velando com a jovem Brites a esposa moribunda, que adoecera com febre tifoide logo nos primeiros dias da estada, um jogo de sedução que cruza o amor e a morte desenha-se entre Luís, a presença das duas figuras femininas e as recordações da primeira esposa, sentindo-se como que "movido por uma mão misteriosa que executava um desígnio irresistível, substituindo pouco a pouco os mortos já bem mortos por outros um pouco menos mortos, finalmente pelos vivos empolgantes, que tiravam a vida da morte como fortes garras de águia de repente baixas num campo." (p. 285).
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