Artigos de apoio

A Colonização Britânica (1788-1914)

O colonialismo europeu moderno, que data do século XV, pode ser dividido em duas grandes fases: a primeira fase iniciada em 1415 e terminada em 1800; a segunda etapa, de 1800 até à II Guerra Mundial. Se no primeiro período as grandes potências coloniais eram Portugal e Espanha, secundadas pela Holanda, França e Inglaterra (por vezes superadas até) que na aventura da expansão chegaram às Índias Orientais (Ásia e África Oriental) e às Américas, no segundo momento porém, a Grã-Bretanha era a mais poderosa potência colonial presente na Ásia, na África e no Pacífico.
Os portugueses foram os pioneiros deste movimento colonial, pois aproveitaram uma conjuntura de estabilidade política conjugada com a sua experiência marítima e o seu privilegiado posicionamento estratégico, para se lançaram nas descobertas, chegando ao continente africano e à Ásia Oriental ainda no século XV.
O principal objetivo dos navegadores e comerciantes portugueses era dominar o comércio das especiarias e, portanto, em vez de montaram colónias, os portugueses fundaram entrepostos comerciais e fortalezas. Em meados do século XVI, o monopólio do comércio oriental foi seriamente ameaçado pelos holandeses e pelos ingleses, que passavam a entrar em competição com Portugal. Os holandeses foram expulsando os portugueses, estabelecendo-se no Cabo da Boa Esperança e, a partir das primeiras décadas do século XVII, controlavam já Java e Ceilão, o atual Sri Lanka. Mais tarde, os ingleses fundavam, na Índia, a Companhia da Índia Oriental, e iniciavam a sua conquista do território em 1757.
A colonização dos territórios americanos por seu turno, resultou da procura de metais preciosos e de novas terras para a agricultura, da necessidade que alguns indivíduos tinham de fugir às perseguições religiosas e do desejo manifestado por outros de converter ao cristianismo as populações autóctones. Aqui, foram fundadas colónias de povoamento, e não entrepostos, embora as colónias mantivessem um comércio em regime de exclusividade com a potência dominante.
No Novo Mundo o grande adversário era a Espanha, que controlava uma considerável parte da América Central e da América do Sul, enquanto aqui Portugal controlava essencialmente o Brasil.
Os portugueses e os espanhóis formavam muitas vezes colónias mistas onde miscisgenavam os europeus com as populações indígenas; os franceses e britânicos, pelo contrário, fundavam colónias "puras", que eliminavam o contacto rácico com as populações autóctones.
Por volta de 1800, as primeiras potências coloniais tinham já entrado em decadência. As colónias espanholas, portuguesas e francesas nas Américas tinham já adquirido, ou estavam prestes a adquirir, a sua independência depois das Guerras Napoleónicas; os holandeses perderam igualmente grande parte das suas possessões neste continente e envolveram-se em relações comerciais ilegais com outras. A Inglaterra também perdeu uma grande parte dos seus territórios na América do Norte, nomeadamente com a independência dos Estados Unidos em 1776, resultante da vitória dos colonos na Guerra Americana da Independência. Contudo, continuava a ser uma forte potência colonial.
A Inglaterra controlava também o território indiano e, por razões estratégicas, mantinha algumas colónias que ocupara no decurso das guerras com outras potências europeias, por exemplo, o Canadá (aos franceses), o Cabo da Boa Esperança e o Ceilão (aos holandeses).
O segundo momento da expansão colonial, pode por sua vez subdividir-se em duas fases: de 1815 a 1880 e de 1880 a 1914. No primeiro período não houve qualquer coerência geográfica nem parecia haver um desejo consciente das potências controlarem e tomarem mais territórios. Parecia mesmo que as atenções se concentravam em interesses nas periferias, já bem estabelecidos. Os colonos ingleses fixados na Austrália embrenhavam-se nos seus territórios periféricos onde procuravam terras e outros recursos rentáveis, enquanto os franceses, por seu turno, colonizavam a Argélia para assegurarem a sua posição num ponto estratégico, enquanto os russos conquistavam a Ásia Central por razões de segurança.
A Inglaterra, no seu domínio colonial, na era vitoriana, dominava a Índia (incluindo o Paquistão e Bangladesh), a Birmânia, a Malásia, a Austrália e Nova Zelândia e arquipélagos do Pacífico, o território africano entre o Cairo e o Cabo, detinha concessões na China, o Canadá e parte das Caraíbas.
De 1880 a 1914, a atuação das potências coloniais foi mais longe, pois neste período completou-se a colonização da África, com a exceção da Etiópia, que resistiu ao insistente assédio da Itália, e de partes da Ásia e do Pacífico.
Em 1914 a rede colonial mundial estava assim completa, e a Inglaterra, era sem dúvida, a maior potência colonial, pois o seu império era o mais vasto e também o mais diversificado. Apesar da supremacia colonial britânica, outras nações se mantinham como importantes forças coloniais. Eram os casos da França, da Bélgica, da Alemanha, de Portugal, dos Estados Unidos da América e do Japão.
O ano de 1914 representa uma viragem no círculo colonial, e marcou o fim do apogeu colonial britânico, durante o qual a Inglaterra se assumira como a incontestada potência colonial entre o final do século XVIII e o início da I Guerra Mundial, como se viu.
Para alguns autores e políticos como Lenine, as motivações desta fase do colonialismo estavam relacionadas com o capitalismo, que criara a necessidade de encontrar matérias primas e o escoamento do seu aumento de capital; para outros, a tónica era dada às razões diplomáticas e estratégicas onde as colónias se comparavam aos peões num jogo de xadrez; outros ainda viam esta expansão como uma evolução natural da expansão do final do século XIX.
O colonialismo moderno ruiu com o surgimento dos grandes conflitos mundiais no século XX. O crescimento de uma consciência nacional nas colónias, o declínio da influência política e militar da Europa e o descrédito das justificações morais para a existência de impérios conduziram definitivamente à queda do imperialismo e à rápida descolonização acelerada depois do fim da II Guerra Mundial.

1

2

3

4

5