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Adegas Dominus em Napa Valley

As Adegas Dominus, localizadas no fértil Vale de Napa na Califórnia, Estados Unidos de América, uma região especialmente vocacionada para o cultivo da vinha, foram projetadas pela dupla de arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron em 1995. O cliente foi um famoso viticultor chamado Christian Moueix, que, após uma década de trabalhos e pesquisas conseguiu atingir um nível de qualidade na produção de vinho que alcança dimensão internacional. A designação de marca deste vinho - Dominus - deu o nome ao edifício. A necessidade de construção de um edifício para gerir toda a produção deste vinho testemunha o seu sucesso comercial e a necessidade de manter os padrões de excelência então atingidos.
O edifício apresenta um volume longitudinal com 110 metros de comprimento, 25 de largura e 9 de altura, implantado no centro do terreno e colocado paralelamente em relação às vinhas, que se divide em três núcleos funcionais, distribuídos em dois pisos.
A organização do interior é linear e estruturada por dois pátios exteriores cobertos, um dos quais é atravessado pelo principal caminho que cruza a propriedade. Este pátio cumpre a função de zona de receção e de ligação entre os grandes espaços de trabalho (salas das Cisternas e das Pipas), a sala de degustação, os escritórios e a zonas dos empregados. A Sala de Cisternas é ocupada pelos grandes depósitos onde o mosto fermenta. Segue-se a Câmara das Pipas nas quais o vinho é deixado a estagiar e, finalmente, no topo sul, o armazém, área onde se engarrafa e embala o produto final, constituindo os stoks de venda.
O aspeto mais interessante deste edifício é a sua imagem exterior. A solução para o encerramento das fachadas continha várias condicionantes de índole funcional, nomeadamente de controlo térmico. Herzog e De Meuron projetaram enormes contentores em grelha de aço que eram preenchidos, mais ou menos densamente, de acordo com as necessidades de iluminação e transparência interior, por uma massa inerte de pedras (basalto) que protege termicamente o espaço interior. Através da utilização da pedra local, as fachadas adquirem as tonalidades da paisagem.
Eliminando as tradicionais questões estilísticas, os arquitetos transformam as fachadas numa pele abstrata que encontra o seu fundamento conceptual nas especificidades programáticas e nas possibilidades construtivas, verdadeiro campo de invenção de projetos.

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