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adolescência

A adolescência é uma etapa relevante na vida do Homem, que se inicia por volta dos 10 anos de idade e termina por volta dos 19 anos, período durante o qual ocorrem diversas mudanças físicas, psicológicas e comportamentais.
É uma etapa em que o jovem, depois de proceder ao desenvolvimento da sua função reprodutiva e de se determinar como um indivíduo único, vai definindo a sua personalidade, identidade sexual e os papéis que desempenhará na sociedade.
A duração da adolescência está determinada culturalmente. Apesar do aspeto biológico deste fenómeno, as transformações psíquicas são profundamente influenciadas pelo ambiente social e cultural.
Do ponto de vista biológico, inicia-se quando surgem os sinais físicos sexuais e a capacidade de reprodução. Socialmente é um período de transição que medeia entre a infância de dependência dos adultos e a idade adulta de autonomia económica e social. Do ponto de vista psicológico, é um período que começa com a aquisição da maturidade fisiológica e termina com a aquisição da maturidade social, quando se assumem os direitos e deveres sexuais, económicos, legais e sociais de adulto.
De uma forma geral, deverão ainda estar presentes vários outros conceitos para se poder falar em adolescência, nomeadamente:
- Extroversão: processo psíquico que leva o adolescente a interessar-se pela realidade externa e a desejar estabelecer relações desinteressadas.
- Crise juvenil: esta crise apresenta uma inquietude motora, maior afetividade, labilidade de afetos e tendência para a dissociação.
- Identificação sexual: processo de aceitação do sexo como parte da identidade pessoal. Implica assumir papéis, atitudes, motivações e condutas próprias do género. Para este processo é importante que a identidade assumida seja confirmada pelas outras pessoas.
Em relação ao desenvolvimento cognitivo, o pensamento hipotético-dedutivo consolida-se plenamente. E pode ser aplicado nas áreas pessoais como estratégia para resolver problemas.
As capacidades cognitivas do adolescente possibilitam uma maior consciência dos valores morais e uma maior subtileza na maneira como tratá-los. A capacidade de abstração permite ao adolescente interiorizar os valores universais. Nesta etapa o adolescente pode alcançar o nível de moralidade pós-convencional de Kohlberg, onde o sujeito apresenta princípios morais autónomos e universais que não estão baseados nas normas sociais, mas são normas morais congruentes e interiorizadas.
O desenvolvimento da consciência associada ao domínio da vontade em conjunto com os valores e ideais definidos conjuga-se na formação do carácter definitivo.
A adolescência não é marcada apenas por dificuldades, crises, mal-estares e angústias. Ao se abandonar a atitude infantil e ingressar no mundo adulto, há uma série de acréscimos no rendimento psíquico. O intelecto, por exemplo, apresenta maior eficácia, rapidez e elaborações mais complexas, a atenção pode apresentar-se com um aumento da concentração e melhor seleção de informações, a memória adquire melhor capacidade de retenção e evocação, a linguagem torna-se mais completa e complexa com aumento do vocabulário e da expressão. Mas existem vários sinais que o adolescente pode manifestar face a um eventual transtorno psíquico, onde figuram, por exemplo, o isolamento ou o prejuízo no relacionamento com outras crianças de sua idade, tanto no âmbito escolar como social, tal como o retraimento e a falta de comunicação. Outro sintoma a ser levado em conta é uma rutura brusca na evolução e desenvolvimento normais do adolescente.
Nos adolescentes os transtornos mais comuns são os relativos à depressão, transtornos de aprendizagem, transtornos de comportamento, de ansiedade, problemas de personalidade e, menos frequentemente, o autismo e a esquizofrenia.
Há um processo contínuo de desenvolvimento do aparelho psíquico entre as várias fases da vida da criança e do adolescente. A adolescência caracteriza-se pelo afastamento do seio familiar e consequente imersão no mundo adulto. Nesta fase, a pessoa deixa-se influenciar pelo ambiente de maneira mais abrangente que anteriormente, quando o seu universo era a própria família. À medida que os vínculos sociais se vão estabelecendo, um conjunto de características vai sendo mais valorizado, desde características necessárias para se ser aceite num grupo, até características necessárias para expressar um estilo que agrada não só a si próprio como ao outro.

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