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Ahmed Yassin

Líder espiritual do Hamas e xeque palestiniano, Ahmed Yassin nasceu provavelmente em 1937, em Majdel, perto de Ashkelon, atualmente no Estado de Israel.
Pai de 11 filhos, Ahmed Yassin foi um dos refugiados que, em 1948, aquando da guerra israelo-árabe, foi obrigado pelas forças judaicas a mudar-se para a Faixa de Gaza, para o campo de refugiados de Chatti. Nesse mesmo ano, ficou paraplégico ao sofrer um acidente na coluna vertebral enquanto jogava futebol. Após a conclusão dos estudos secundários, partiu para o Cairo, onde estudou Teologia na Universidade de Al-Azhar. Por dificuldades económicas, aí permaneceu somente um ano, no entanto, durante esse período de tempo, contactou com fundamentalistas do movimento Irmandade Muçulmana. Em 1965, foi preso pelas suas ligações a esse movimento.
Em 1970, retomou as suas atividades com a irmandade e, em 1973, fundou a sua própria organização, o Al-Mujama al Islami, formada por jovens radicais, que tinha o objetivo de enfraquecer o movimento Fatah de Yasser Arafat. Em 1979, Israel reconheceu o grupo como uma organização sem fins lucrativos.
No início dos anos 80, fundou a Majd El Mudjahiddine (glória dos combatentes do Islão), uma organização integrista mais radical que surgiu em consequência da revolução iraniana. Em 1984, é detido por posse ilegal de armas e explosivos, sendo libertado, um ano depois, em troca de prisioneiros.
A 14 de dezembro de 1987, com o início da primeira Intifada, Ahmed Yassin criou o Hamas, sigla em árabe de Movimento da Resistência Islâmica e que significa "fervor". Este grupo radical terrorista islâmico, do qual Yassin se tornou líder espiritual, tinha como objetivo criar um Estado islâmico em Israel, em Gaza e na Cisjordânia, o que o colocava em confronto com o Estado judeu e em situação de ameaça para as autoridades palestinianas que têm uma tradição governativa e que reconhecem Israel como Estado.
Em 1989, foi condenado a prisão perpétua pelo tribunal israelita por ter ordenado o assassinato de palestinianos que colaboravam com militares israelitas e o sequestro e o assassinato de dois soldados israelitas. Enquanto esteve preso, a sua popularidade aumentou, pois tornava-se num símbolo da resistência palestiniana. Em 1997, foi libertado em troca de dois agentes do Mossad (serviço de inteligência de Israel) que eram prisioneiros das autoridades jordanas.
Em 1998, viajou durante quatro meses pelos países árabes muçulmanos (Arábia Saudita, países do Golfo e Irão), a fim de realizar tratamentos médicos e de angariar fundos para as atividades do Hamas.
De regresso a Gaza, o líder espiritual apelou à resistência contra a ocupação israelita do território palestiniano e à utilização de ataques suicidas contra alvos militares e civis israelitas. O xeque Yassin era uma fonte de inspiração e de motivação para os jovens palestinianos que se ofereciam como "homens-bomba", pois afirmava que aqueles que morressem pela causa palestiniana seriam mártires.
Ainda como líder espiritual, tentou manter as relações com a autoridade palestiniana e com os outros regimes do mundo árabe, o que nem sempre foi possível, pois Yassin nunca se comprometeu com o processo de paz. Em dezembro de 2001 e em junho de 2002, foi sujeito a breves detenções domiciliárias ordenadas por Yasser Arafat. Em 2003, o grupo Hamas declarou cessar-fogo temporário que terminou em julho desse mesmo ano, dado que as forças israelitas tinham morto dois integrantes do Hamas em retaliação a um atentado suicida que tinha vitimado 21 civis, num autocarro, em Jerusalém.
O grupo islâmico esforça-se por legitimar o seu trabalho ao ajudar materialmente os palestinianos durante o bloqueio económico de Israel e ao criar fundos de caridade, escolas e hospitais que gratuitamente ajudam as famílias carenciadas. Em setembro de 2003, o xeque ficou ferido em sequência de uma tentativa de assassinato por parte do Exército israelita.
Ahmed Yassi, paraplégico e praticamente cego, faleceu a 22 de março de 2004, quando foi atingido por três mísseis, lançados por helicópteros israelitas, no momento em que saía de uma mesquita do bairro de Sabra, em Gaza.
O novo líder do Hamas, Abdelaziz Al-Rantissi, e outros grupos palestinianos prometeram vingar a morte do líder espiritual através de atentados em Israel. A 17 de abril de 2004, Abdelaziz Al-Rantissi foi assassinado quando mísseis lançados de um helicóptero atingiram o carro em que seguia. Ariel Sharon, chefe do Estado de Israel, afirmou que iria continuar a sua política de "assassínios seletivos", por forma a eliminar os chefes de organizações terroristas.

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