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Alexandre VI (Papa)

Papa espanhol, chamado Rodrigo de Bórgia (ou Borja), nasceu por volta do ano 1431 em Espanha, na localidade valenciana de Játiva. Era filho de Isabel de Bórgia, irmã do papa Calisto III, e de Jofre.
Doutorou-se em Direito Canónico, na Universidade de Bolonha, no ano de 1456, desempenhou o cargo de notário apostólico e foram-lhe outorgados o título de cardeal de São Nicolau e o de vice-chanceler da cúria de Roma, entre outros.
Antes de ascender ao papado teve diversos filhos: Pedro Luís, Jerónima e Isabel, César, João, Lucrécia e Jofre (estes quatro últimos de Vanozza de Catanei). Após a sua eleição, que ocorreu em 10 de agosto de 1492, nasceram Rodrigo e João Bórgia. Manteve ainda relações com Júlia Farnese, oriunda de uma das mais antigas e poderosas famílias romanas. Esta vida pouco eclesiástica mas de um hedonismo tipicamente renascentista, tornaram este papa Bórgia um dos paradigmas dos pontífices decadentes e mundanos que tanto Lutero e Calvino criticariam mais tarde.
Alexandre VI Bórgia, apesar da sua intensa vida privada, não deixou de se interessar pelos destinos da Igreja e dos Estados Pontifícios. Assim, conseguiu criar uma nova liga entre estados italianos, a Liga de São Marcos, em 1493, o que reforçou a unidade e estabilidade políticas. Teve também de combater o rei Carlos VIII de França, que com o incitamento do cardeal Juliano della Rovere invadiu o reino de Nápoles, ao qual se considerava com direito. Alexandre saiu então de Roma para negociar com Milão, Veneza, o Império e Espanha a criação da Santa Liga, para combater Carlos VIII. A Liga foi bem sucedida, retornando o rei a França. Contudo, o austero e observante prior do convento dominicano de São Marcos de Florença, o célebre Girolamo di Savonarola, apoiado pelos antagonistas da família Médicis, pregava o ideal de um Estado teocrático, que seria estabelecido pelo rei de França. Este libertaria a Itália da cúria de Roma e da corrupção. Depois de não ter respeitado a proibição da prédica de tais ideias feita por Alexandre VI, este fulminou-o com a excomunhão a 13 de maio de 1497. Savonarola acabou por ser condenado e executado no ano seguinte, em plena praça della Signoria, no coração de Florença.
Grande mecenas das artes e das letras, famoso e ímpar cortesão um dos papas típicos do Renascimento ou anteriores à Reforma Católica tridentina (do Concílio de Trento, 1545-1563), governou a Igreja até 18 de agosto de 1503. Foi sepultado na igreja de Santa Maria delle Febri e em 1610 trasladado para a de Santa Maria de Montserrat, da nação espanhola em Roma.
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