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alexitimia

O conceito de alexitimia foi formulado após umas observações clínicas em Paris e Boston nos anos 1960, por Pierre Marty, em alguns pacientes que sofriam de doenças consideradas psicossomáticas. Alexitimia é hoje um termo que diz respeito à marcante dificuldade em verbalizar emoções e descrever sentimentos, bem como sensações corporais.
A causa da alexitimia tem preocupado diversos investigadores desde há muito tempo. Krystal e Freyberger atribuíram este problema a uma predisposição psicológica. Nemiah e Sifneos, por outro lado, sugeriram a existência de defeitos biológicos estruturais como a causa primária das características alexitímicas.
Existiram posteriores observações clínicas em 1972 e em 1976, em Londres e em Heidelberg, respetivamente. A conferência de Londres afirmava uma hipótese de provável etiologia biológica para a alexitimia, enquanto a conferência de Heidelberg classificou-a como transtornos psicossomáticos.
Durante os 20 anos seguintes, um grande número de estudos clínicos constataram a presença de características alexitímicas em percentagens variadas nos pacientes que sofriam distúrbios clínicos e psiquiátricos diferentes, tais como no abuso de substâncias, na dor psicogénica, nos transtornos alimentares, nas depressões típicas, nos ataques de pânico, nos transtornos somáticos, na personalidade borderline e transtornos sociopáticos da personalidade, bem como em indivíduos normais.
Para sujeitos com incapacidade de verbalizar e diferenciar as suas emoções das suas sensações corporais, e com tendência para fantasiar, as psicoterapias dinâmicas são totalmente ineficazes, por vezes até prejudiciais. Assim, as terapias de apoio, individuais e/ou de grupo, juntamente com medicação psicotrópica, parecem poder oferecer melhores resultados. Foram encontrados sintomas com características alexitímicas não somente em pacientes que sofrem de uma variedade de doenças emocionais, mas também em alguns pacientes com personalidade sociopática ou do tipo borderline.

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