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aliteração

Figura de estilo que consiste na repetição insistente do mesmo som consonântico em várias palavras consecutivas ou ao longo de vários versos. Esta figura de estilo teve particular expressão no Simbolismo, corrente em que se procurava sugerir toda a espécie de efeitos musicais a partir do jogo de sonoridades produzido no poema:

"Eu temo muito o mar, o mar enorme," (aliteração da consoante nasal bilabial /m/ )
(Cesário Verde, Poesia Simbolista Portuguesa, "Heroísmos". Lisboa: Editorial comunicação: 49)

"Na messe, que enlourece, estremece a quermesse...
O sol, o celestial girassol, esmorece..." (aliteração da consoante fricativa dental surda ou sibilante surda /s/)
(Eugénio de Castro, Poesia Simbolista Portuguesa. Lisboa: Editorial comunicação: 103)

"Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos..." (aliteração da fricativa labiodental surda)
(Eugénio de Castro, Oaristos, XI)

N.B. A aliteração é sempre a repetição de um fonema consonântico, não de um grafema. Não se deve confundir a noção de fonema, o som com significado na língua, com a de grafema, a representação gráfica de um fonema.
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