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ambivalência

A ambivalência caracteriza-se pela presença concomitante de juízos contraditórios sobre o mesmo objeto, isto é, o indivíduo sente-se atraído por dois impulsos de sentido oposto em simultâneo e fica sem saber qual deles seguir. Deseja satisfazer ambos os impulsos, mas como são opostos na sua dinâmica e naquilo que oferecem, o sujeito não consegue satisfazê-los concomitantemente. Esta situação deixa o indivíduo num constante estado de tensão e de indecisão, dividido e prejudicando-se visivelmente no que faz e no que se propõe realizar.
Este termo foi inicialmente criado por Bleuler para designar um dos sintomas da esquizofrenia que denuncia uma constante negação e afirmação de comportamentos ou discursos por parte do paciente.
Segundo Melanie Klein a ambivalência existe desde o início de vida no bebé em que o bebé cliva o objeto de amor (a mãe) em bom e mau.
Para Freud, a ambivalência é um dos principais conceitos psicanalíticos. A sua noção remete para o dualismo pulsional, que surge na teoria de Freud a propósito das pulsões de vida e das pulsões de morte.
Em termos gerais, a ambivalência pode encontrar-se em situações de ciúme ou de luto. Num sentido mais restrito, a ambivalência é uma alteração da afetividade característica dos quadros maníaco-depressivos, nos quais muitas vezes se manifesta uma combinação de sentimentos positivos e negativos em relação à mesma pessoa.
Nas neuroses obsessivo-compulsivas, observa-se uma ambivalência nos pensamentos, mas é na esquizofrenia que a ambivalência se apresenta com os seus aspetos mais característicos, patológicos e extremos e onde exprime uma desorganização mais profunda, em que sentimentos ou ideias contraditórias estão presentes ao mesmo tempo.
O paciente ambivalente, apesar de não pode unificar ambos os sentimentos e tendências opostas, compreende-os ao mesmo tempo (ama e odeia), sem que interajam entre si ou, pelo contrário, se destruam.


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