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Anna Akhmatova

Poetisa nascida em território ucraniano, Anna Andreyevna Gorenko, com o pseudónimo Anna Akhmatova, nasceu 23 de junho de 1889, em Bolshoy Fontan, cerca de Odessa. Começou a escrever poesia aos onze anos de idade, mas o pai, um engenheiro naval, temia que Anna viesse a desonrar o nome da família, convencido de estar a adivinhar hábitos decadentes associados à vida artística. Assim, assinou os seus primeiros trabalhos com o primeiro nome da sua bisavó, Tatar.
Apesar do seu pai ter abandonado a família, quando Anna contava apenas dezasseis anos, conseguiu prosseguir os seus estudos. Portanto, não só estudou no liceu feminino de Tsarskoe Selo e no célebre Instituto Smolnyi de São Petersburgo, como também no Liceu Fundukleevskaia de Kiev e numa faculdade de Direito, em 1907.
Regressou a São Petersburgo com o intuito de estudar Literatura, tendo tido como professor o reputado poeta, dramaturgo e ensaísta Innokenty Annesky (1965-1909), que teria marcado profundamente a poetisa. Em 1910 tornou-se membro da tertúlia poética acmeísta, acabando por casar com seu líder, Nikolai Gumilev, no mesmo ano. Os recém-casados partiram então para Paris, onde conheceram o pintor Amedeu Modigliani, e para o Norte de Itália. Regressando em 1912, o casal viu nascer o seu primeiro filho, Lev Gumilev, que também viria a tornar-se escritor. A poetisa publicou também nesse ano a sua primeira coletânea, Vecher (1912, O Entardecer). Com a deflagração da Primeira Grande Guerra, Nikolai Gumilev alistou-se na Cavalaria e, nesse ano de 1914, Anna Akhmatova obteria um reconhecimento mais alargado, com a publicação de Chyotki (Contas de Vidro).
A poetisa divorciou-se de Gumilev em 1918, acabando este por ser executado em 1921, sob a acusação de atividades antirrevolucionárias, pelo que Akhmatova optou por um retiro literário, aparecendo mencionada nas disputas literárias dessa época, mas nunca publicando novas sequências à sua obra. Desde 1921 até cerca de 1953, muitas foram as pessoas chegadas à poetisa que se viram forçadas ao exílio, condenadas às sentenças de morte ou prisão. Entre 1925 e 1952, com um período excecional em que surgiram alguns versos na publicação literária mensal Zvezda e um poema dedicado à coragem na primeira página do Pravda, a sua obra foi banida da então União Soviética.
Em 1946, Anna Akhmatova foi expulsa do Sindicato dos Escritores da União Soviética. Com o desterro do seu filho Lev para a Sibéria em 1949, condenado a quinze anos de trabalhos forçados, escreveu uma série de poemas elogiando Estaline, conseguindo através desse gesto ganhar a benevolência do dirigente e assim recuperar a liberdade do filho em 1956.
Excluída da vida pública, vivendo de uma irrisória pensão e forçada a ir fazendo traduções de obras de escritores como Victor Hugo e Rabindranath Tagore, Akhmatova começou, após a morte de Estaline, em 1953, a ser reabilitada, tendo-lhe sido autorizada uma viagem a Itália para receber o prémio literário Taormina e a Oxford para receber um título honorário, em 1965.
Em 1963, ano em que a poetisa foi escolhida para a presidência do Sindicato dos Escritores Soviético, foi publicado em Berlim o seu ciclo Reqviem (Requiem), que consistia em dez poemas curtos e numerados, escritos entre 1935 e 1940, sendo o primeiro uma reflexão sobre a detenção do seu filho Lev e do seu terceiro marido, Nikolai Punin, que havia morrido num campo de concentração siberiano, bem como a de alguns amigos próximos. Esta obra veria a publicação na sua terra natal apenas em 1986.
Na generalidade, a sua obra é caracterizada pela aparente simplicidade e naturalidade e pela precisão e clareza da sua escrita.
Anna Akhmatova, falecida em 1966, é considerada como uma das maiores poetisas russas do século. Das suas obras destacam-se os poemas Cleopatra, Requiem e Coragem.
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