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antropologia

Introdução
Em sentido estrito, é a história natural dos hominídeos, na sua diacronia espácio-temporal. Estuda portanto o homem atual (Homo sapiens sapiens), caracterizando-o no quadro de classificação dos animais. Investiga e descreve, assim, as raças humanas no que concerne às suas características físicas. Estuda também as espécies extintas do género Homo e dos seus parentes. É a antropologia dita física. Num sentido mais amplo, a antropologia inclui também o estudo das manifestações culturais dos grupos humanos naturais, de acordo com critérios psicológicos, sociais e linguísticos. Neste contexto de abordagem científica surge a antropologia cultural. Numa perspetiva global, a antropologia é a ciência que estuda o homem enquanto ser animado nos seus vários aspetos e na sua relação com a cultura, desde a pré-história até aos nossos dias. O objeto desta ciência do homem é a compreensão e estudo deste no mundo atual através de análises comparativas. A relação do indivíduo com o seu grupo, de forma parental ou meramente social, é atualmente uma das áreas mais abordadas pela antropologia moderna, fortemente apoiada nas ciências exatas e nos seus dados.
Há, no entanto, dois aspetos essenciais na antropologia: o natural e o cultural. Ambos têm entre si relações evidentes, tendo sido estudados conjuntamente durante muito tempo. Atualmente, são objeto de ciências independentes, ainda que conexas: a antropologia física, antropobiologia ou simplesmente antropologia, por um lado, e etnologia ou antropologia cultural, por outro.

Divisões da Antropologia
A antropologia física difere da anatomia e da fisiologia, pois se estas tratam especificamente da estrutura e funções do homem, aquela dedica-se ao estudo da diferença biológica entre os seres humanos e respetivas causas. Se a anatomia e a fisiologia são ciências do indivíduo, a antropologia física é a ciência dos grupos humanos. Esta divide-se em seis disciplinas: a genética humana, que estuda os mecanismos de transmissão hereditária dos diferentes caracteres, normais e patológicos, e as variações genotípicas das povoações humanas (genética das populações); a somatologia e a osteologia, ligadas à morfologia das diferentes partes do corpo, a primeira, e do esqueleto, a segunda; a antropometria, medidas e proporções do corpo humano; a antropologia fisiológica, relacionada com o crescimento, os grupos sanguíneos e outras características fisiológicas presentes nos grupos humanos.
Numa abordagem mais sistemática da antropologia, surgem outras especialidades, como biotipologia (diferenciação biotipológica), a raciologia ou antropografia (descrição e classificação das raças humanas); e a paleontologia humana ou paleoantropologia (estudo dos hominídeos do passado, em termos de origem, evolução e classificação). Existe também a antropologia aplicada, pois são inúmeras as aplicações da antropologia física a diversos campos de atividade: a antropometria e a ergonomia (relação do homem com o seu ambiente de trabalho, importante para os aspetos laborais e administrativos).
Uma das ideias que mais influenciou a antropologia física foi o evolucionismo de Darwin, a partir da sua obra A Origem das Espécies (1959), concebendo a evolução biológica (física) do homem como sujeita a um desenvolvimento biogenético dos grupos humanos.
A Antropologia Cultural ocupa-se das diversas formas de cultura que o homem desenvolveu ao longo do seu desenvolvimento biológico. Os vetores essenciais de abordagem são o desenvolvimento da cultura, os povos e a organização social. Desenvolve-se em quatro partes essenciais: a arqueologia, a etnologia, a antropologia social e a linguística.
A arqueologia estuda os vestígios das várias culturas humanas, centrando-se, na antropologia cultural, principalmente sobre os povos primitivos, através da recolha e análise de materiais que possam fornecer dados para a reconstrução da sua vivência coletiva. Habitats, alimentação, reprodução, arte, religião, quotidiano, entre outras manifestações da vivência humana, são alguns dos campos de investigação da arqueologia enquanto auxiliar da antropologia cultural.
A etnologia é, para muitos autores, a essência da antropologia cultural. Caracteriza-se pelo estudo dos povos ou grupos étnicos, utilizando dados e resultados dos demais ramos da antropologia cultural. Tem como objeto a observação e compreensão da globalidade cultural de um povo, procurando-se analisar a atuação e comportamentos de cada indivíduo. Os grupos são assim descritos, coletiva e individualmente, em relação aos seus costumes, hábitos sociais, cultura material e instituições. Definem-se assim as áreas culturais, a capacidade de aproximação a outras ou a sua repulsa, a possibilidade de difundir novas ideias e hábitos. As relações históricas entre os vários grupos e respetivas culturas são também um enfoque levado em conta pela etnologia. A etnografia - descrição de uma comunidade ou povo - é uma subdisciplina da etnologia.
Quanto à antropologia social, estuda os diferentes aspetos da cultura e o comportamento de cada um deles em relação ao todo social. Por exemplo, a lei e a religião só podem ser entendidas enquanto inseridas num todo cultural e assim perspetivadas como objeto de estudo, nunca isoladamente. Também há investigadores que dão primazia à análise da influência de uma dada cultura sobre a personalidade de um indivíduo. Em resumo, a antropologia social define o comportamento do indivíduo como algo determinado pela sociedade a que pertence, procurando-se um denominador comum generalizável a todas as sociedades, comparando sistemas antigos e modernos. A antropologia social é um ramo essencialmente teórico, visando a definição de leis e regras, sendo auxiliar da história no que concerne ao estudo das instituições e sociedades, não tanto em relação aos povos. Confunde-se muitas vezes com a etnologia. Destacam-se na antropologia social nomes como Malinowski, Warner ou Firth.
A linguística recolhe vocabulários, estuda a fonética e analisa a estrutura das línguas, fazendo parte da antropologia cultural pelo simples facto da linguagem ser um produto do Homem. O estudo das estruturas gramaticais a comparação dos vocabulários, por exemplo, conduz ao parentesco ou relacionamento entre línguas, culturas ou povos, como se pode verificar no estudo das línguas indo-europeias e na definição histórico-geográfica das mesmas.

Correntes da Antropologia
A antropologia cultural conheceu várias correntes de pensamento e metodologia até aos nossos dias, que acabaram por influenciar profunda e irreversivelmente outras ciências sociais e humanas. Assim, a primeira foi o evolucionismo cultural, para a qual todos os grupos humanos têm que atravessar necessariamente as mesmas etapas de desenvolvimento, e as diferenças que podem ser observadas entre as sociedades contemporâneas seriam apenas desfasamentos temporais, fruto dos diferentes ritmos de evolução. Já em fins do século XIX e meados do XX, surgiu o difusionismo, que aponta a novidade cultural como algo muito raro, sendo mais frequente a relíquia cultural, dando-se um grande enfoque à história nesta corrente antropológica. Daqui despontou o hiperdifusionismo cultural, a partir da escola de Viena (Graebner e Schmidt) e inglesa. Defende esta corrente que as culturas existentes descendem de um - ou poucos - centros difusores que teriam realizado todas as invenções culturais. Um desses centros era o Egito. Depois adveio o funcionalismo, de Malinowski e Boas, em que a cultura é um conjunto unitário que deve ser estudado na totalidade, composto como uma máquina de diferentes peças interligadas entre si. Só faz parte de uma cultura aquilo que nela tem uma função. Veio depois o estruturalismo, que muito influenciou a história. Foi o seu primeiro mestre Marcel Mauss e seus expoentes máximos Arnold Radcliffe-Brown e Claude Lévi-Strauss. Baseando-se em conceitos derivados da matemática formal e da linguística, os estruturalistas procuram conhecer e compreender uma determinada sociedade a partir do seu modelo estrutural. Este tipo de abordagem foi muito importante para o conhecimento dos sistemas de parentesco e para o estudo dos mitos. A tendência marxista também existe na antropologia ainda hoje, tal como o evolucionismo multilinear de certos antropólogos americanos.
Ligadas à antropologia existem também a antropologia filosófica e a antropologia teológica. A primeira dedica-se ao estudo da essência do ser humano, a segunda a dimensão antropológica de toda a mensagem cristã, de forma a esclarecer a doutrina ao homem. Estão ambas muito presentes nas obras de Santo Agostinho: a primeira na sua conceção de "homem interior" (espírito, alma), a segunda na doutrina da graça, uma das vertentes da doutrina teológica do homem, para além das doutrinas da criação e da natureza humana de Cristo (cristologia).
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