Artigos de apoio

Arte Folclórica

Arte Folclórica é geralmente empregue para designar as realizações de âmbito artístico produzidas no seio de culturas tradicionais e pré-industriais, de carácter popular e tendencialmente rurais ou primitivas.
Embora constantemente revisto, redimensionado e mesmo posto em causa no seu alcance conceptual, este termo, que induz a polarização entre cultura popular e cultura erudita ou académica, permite cada vez mais nomear produções culturais de cariz étnico ou comunitário, independentemente do seu contexto geográfico ou cronológico. De facto, assiste-se nas sociedades modernas e mesmo no interior de algumas comunidades urbanas, ao despontar de manifestações que se podem definir como folclóricas.
Em paralelo com este alargamento do conteúdo etimológico da palavra, tem-se vindo a reduzir as conotações negativistas que apontavam o folclórico como algo ligado ao rural e a pensamentos primitivos, anacrónicos ou cristalizados.
A revalorização desta forma de expressão, reconhecida como raiz cultural dos povos e plataforma de desenvolvimento das suas realizações artísticas eruditas, vem ganhando amplo incremento. De facto, opondo-se ao processo de sentido globalizante que vem conduzindo à miscigenação e nivelamento das culturas, tem ganho terreno a tendência para afirmação das identidades nacionais ou regionais, sustentada na recuperação de manifestações que exprimam o carácter mais profundo da vida comunitária, das suas crenças e ideais. Um fenómeno de neonacionalismo que encontra a sua concretização na criação de museus e coleções específicas de artefactos folclóricos e étnicos e de programas de salvaguarda dos meios produtivos de carácter artesanal.
Arte Folclórica aplica-se às mais variadas formas de arte, sem implicar balizas cronológicas ou categorias estéticas e expressivas.
A produção folclórica é geralmente anónima, embora pontualmente possam surgir artistas cuja originalidade de expressão estética, ainda que cruzada com a tradição local, os distingue enquanto criadores com estilos próprios. A transmissão de conhecimentos e de procedimentos técnicos assenta na oralidade ou, mais raramente, na escrita, sendo feita de forma direta no seio de uma sistema produtivo de carácter familiar ou dinástico.
Os materiais utilizados dependem quase sempre das possibilidades dos meios geográficos e são invariavelmente naturais. Pode nomear-se, como mais frequentes, a madeira, o vidro, alguns metais, a cerâmica, ou têxteis e o couro. O tratamento tecnológico destes materiais é muito simples e baseia-se em processos manufaturados.
A nível estilístico, alguns denominadores permitem caracterizar muitos dos artefactos folclóricos, embora surjam frequentemente produtos que escapam a qualquer categorização formal. É quase universal o carácter decorativo e fortemente trabalhado das peças, nas quais os coloridos figurinos ornamentais variam bastante com as épocas e as culturas.
Muitos destes motivos filiam-se de forma direta nas formas mais ancestrais de arte pré-histórica, assim como na arte celta ou do médio oriente e mediterrâneo pré-clássicos.
A arte folclórica, apesar da tendência para a cristalização das formas de expressão e dos sistemas formais, influenciou em vários períodos a chamada cultura artística erudita, nomeadamente no século XX, com a redescoberta da arte negra africana e dos artefactos asiáticos, sul-americanos ou australianos, pelos artistas das vanguardas das primeiras décadas do século.

1

2

3

4

5