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Artur Paredes

Guitarrista e compositor português, nasceu a 10 de maio de 1899, em Coimbra, e faleceu a 21 de dezembro de 1980, em Lisboa. É por muitos considerado o criador de uma sonoridade própria para a guitarra de Coimbra, distinguindo-a assim da guitarra de Lisboa. É pai do maior vulto da guitarra portuguesa, Carlos Paredes, filho de um grande guitarrista de Coimbra, Gonçalo Paredes, e sobrinho de outro grande guitarrista coimbrão, Manuel Paredes.
A guitarra surge assim, de forma natural, como uma tradição familiar. Uma arte transmitida e aperfeiçoada de geração em geração, que viria a ter o expoente máximo, no seu filho, Carlos. Uma arte aprendida desde tenra idade, apesar de o seu pai ter morrido quando era ainda muito novo.
Artur Paredes estudou num colégio particular e chegou a integrar a Tuna do Orfeão Académico, apesar de nunca ter ingressado na Universidade. Trabalhou no Banco Nacional Ultramarino. Contudo, esteve sempre próximo do meio académico. E foi ali que o seu talento ganhou fama. Conviveu com muitos estudantes que se viriam a revelar nomes maiores da canção de Coimbra. Entre outros, acompanhou António Menano, Agostinho Fontes, Paradela de Oliveira, Lucas Junot, Armando Goes e, sobretudo, Edmundo Bettencourt, nascido no mesmo ano e com o qual revelou um entendimento invulgar.
Em 1935, Artur Paredes mudou-se para Lisboa, e continuou a dedicar-se à música e à guitarra portuguesa. Estudou a sua morfologia. Passou a frequentar assiduamente as oficinas de construção de guitarras. E modificou o instrumento à sua medida, sobretudo em termos de afinação, de forma a poder tirar maior proveito da mão esquerda.
Ganhou cada vez maior notoriedade enquanto guitarrista e o título de mestre. Atuou por todo o país e também no estrangeiro, tendo chegado a editar discos nos Estados Unidos. Foi um intérprete excecional, de temas como "Balada de Coimbra" e "Fado do Hilário", um improvisador aprumado, e um compositor notável, autor de temas como "Bailados do Minho", "Variações em Ré Maior", "Variações em Lá Menor", "Passatempo" ou "Desfolhada".
Artur Paredes fez escola, marcando os guitarristas de Coimbra que lhe sucederam, como António Brojo, António Portugal e Jorge Tuna. Mas o maior dos seus discípulos foi, sem dúvida, o seu próprio filho, Carlos Paredes. Era conhecido pela sua severidade e exigência para com o filho, que durante muito tempo foi o seu segundo guitarra. Mas, assim como Artur Paredes superou Gonçalo Paredes, Carlos superou Artur.
A guitarra de Artur Paredes ficou registada em vários discos, sobretudo em EP de 78 rotações, como era hábito na época. Destaca-se o álbum Artur Paredes, também disponível em CD, lançado pela Alvorada, em 1969 que inclui alguns dos seus mais famosos temas e é acompanhado por Arménio Silva e Carlos Paredes.
A arte de Artur Paredes teve muitos admiradores. De tal forma que alguns escritores lhe dedicaram poemas, como é o caso de Manuel Alegre, Afonso de Sousa ou José Régio, que o evoca nesta quadra:
"Ai choro com que o Paredes
Vibrando os dedos em garra,
Despedaçava a guitarra,
Punha os bordões a estalar!"
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