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assíndeto

Figura de construção que consiste na omissão continuada de elementos de ligação entre palavras, sintagmas ou frases, ao contrário do polissíndeto. O assíndeto costuma aplicar-se concretamente à supressão da conjunção coordenativa copulativa "e", que é substituída por uma vírgula ou outro sinal de pontuação e tem como objetivo conferir dinamismo, vivacidade, rapidez e ritmo ao discurso. Seguem-se alguns exemplos de assíndeto, sendo que, no primeiro caso, a conjunção é substituída por vírgulas e pela pausa do parágrafo, enquanto no segundo caso, a conjunção é apenas substituída por vírgulas:

"O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O noturno silêncio repousado..."
(Camões, soneto "O céu, a terra, o vento sossegado", in A lírica de Luís de Camões, 1992, Lisboa, Ed. Comunicação)

"Zoilos, estremecei, rugi, mordei-vos:
Filinto, o grão Cantor, prezou meus versos
(...)
Eis os tempos, a inveja, a morte, o Letes
Da mente que os temeu desaparecem. (...)"
(Bocage, "A Francisco Manuel do Nascimento", in Poesias de Bocage, 1992, Lisboa: Ed. Comunicação)

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