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Atenas: recursos e atividades económicas na Grécia Antiga

No século V a. C. a civilização grega entrou no seu período de máximo desenvolvimento, mantendo uma forte ligação com o passado, mas abrindo caminho a uma nova era da sua história que ecoou por todo o mundo helénico.
A civilização grega assentava, ainda na sua Idade de Ouro, em modelos económicos rudimentares, no essencial semelhantes aos dos períodos anteriores, uma vez que não se verificou uma mudança substancial ocorrida com a introdução do dinheiro. No decurso de três séculos foram-se desenvolvendo paulatinamente as atividades económicas, relacionadas com setores e produtos específicos. Houve, de facto, uma alteração a nível de mercados e uma melhoria dos aspetos técnicos, mas não muito mais do que isto.
O setor de ponta da economia grega era o comércio efetuado entre países e cidades, contudo, esta atividade mais avançada era acompanhada por outras atividades mais elementares. Mantinha-se a utilização da troca direta na vida quotidiana, mesmo depois da introdução da moeda, tal como sucede em mercados simples e pouco exigentes, adequados a níveis de produtividade relativamente baixos. Contudo, paulatinamente, o sistema de trocas de produtos por produtos foi dando lugar a uma economia monetária e, tradicionalmente (de acordo com Heródoto), atribuiu-se a primeira cunhagem de moeda ao reino da Lídia, na época de Creso (c. 547 a. C.), ainda no século VI a. C., aproveitando os recursos auríferos desse território.
Na inexistência de manufaturas, a maior parte dos artesãos e comerciantes gregos trabalhavam, não em corporações mas individualmente, em muitos casos com o auxílio de alguns funcionários e escravos. Mesmo em projetos de grande envergadura, como por exemplo nas obras de engrandecimento da cidade de Atenas, eram reunidos grupos de trabalhadores consideravelmente pequenos.
A exceção à regra eram as explorações mineiras. Nas minas de prata de Laúrio, na Ática, eram disponibilizados milhares de escravos para efetuarem este árduo trabalho.
A base desta economia, no entanto, não era o comércio como à partida se poderia pensar. A agricultura, de subsistência, era o centro da economia grega, assente na produção de cereais, azeitonas e uvas, encaminhadas para o comércio interno.
A produção especializada de Atenas ou de Mileto, o centro produtor de lã, eram casos isolados no panorama desta economia agrícola.
O homem grego comum dedicava-se ao cultivo da sua propriedade, o que lhe providenciava a sua subsistência. O comércio e outras atividades estavam maioritariamente concentrados nas mãos dos metecos (constituídos maioritariamente por estrangeiros, isto é, homens de fora da cidade de Atenas, que desempenhavam atividades artesanais). Estes podiam ser detentores de um património material e auferirem de uma posição social de certa importância. Apesar disso, os metecos de Atenas tinham de obter uma autorização especial para poderem comprar terras; no entanto podiam-se alistar nas fileiras do exército grego.

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