auto
Termo de origem latina [actu(m) com o significado de realização, ação, ato] que designa uma pequena composição dramática de tema religioso ou profano, que surgiu nos finais do século XII, na Península Ibérica.
Os grandes divulgadores do auto foram Juan del Encina, em Espanha, e Gil Vicente, em Portugal. Este apresentou o Monólogo do Vaqueiro ou Auto da Visitação, em 1502. No Códice de Autos Velhos, encontra-se uma coleção de noventa e seis obras do século XVI que se centram sobre o tema religioso.
Os autos de carácter religioso tinham a finalidade de serem representados em festividades religiosas, com o objetivo de transmitir ao público ensinamentos de ordem religiosa e moral. Assim, relativamente ao conteúdo, apresentavam referências ao Antigo e Novo testamento, às vidas de santos, a elementos relativos à Eucaristia e a outros sacramentos. Na sua maioria, recorriam a um tratamento alegórico ou histórico dos temas abordados, para levar o espectador a compreender conceitos e dogmas teológicos.
Os autos profanos revelavam para além da grande diversidade formal, grande variedade temática, tal como a sátira de situações (Auto das Regateiras, de António Ribeiro Chiado), a paródia de comportamentos (Auto do Filodemo, de Camões), a intriga moralizante (Auto de El-rei Seleuco) e ainda a encenação histórica e celebrativa (Auto de Dom Luís e dos Turcos, anónimo).
Em Espanha, os autos que abordavam, alegoricamente, os dogmas do catolicismo ficaram conhecidos como autos sacramentales e foram sobretudo cultivados por Lope de Veja e Calderón de la Barca.
No Brasil, o auto foi introduzido por membros da Companhia de Jesus, no século XVI, como forma de evangelizar. No início da sua colonização, os autos eram escritos em português, latim, espanhol e tupi, de forma a poderem alcançar um maior público. Os espetáculos realizavam-se em aldeias indígenas, cidades, igrejas ou colégios jesuítas. Muitos dos autos desse período foram atribuídos ao padre José Anchieta, tais como Auto de Santiago, Auto da Pregação Universal, Auto de São Sebastião, Auto das Onze Mil Virgens.
O auto apresentava grande popularidade no século XV e XVI, no entanto, destacaram-se ainda, ao longo dos séculos, autos de relevo, como Auto do Fidalgo Aprendiz (1665), de D. Francisco de Melo, Auto da Compadecida (1959), de Ariano Suassuna, Morte e Vida Severina (Auto de natal pernambucano), de João Cabral Melo e Auto da Barca do Motor Fora da Borda (1966) de Luís Sttau Monteiro.
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