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Bandeira Portuguesa

Como todas as bandeiras da Europa, a bandeira portuguesa sofreu várias alterações ao longo da História da Nacionalidade. O significado que possui atualmente a bandeira nacional é recente. De facto, na Idade Média, representava não o povo mas o monarca e o estado que governava. Por isso, as armas da família reinante constavam na bandeira, tivesse ela origem condal, ducal, real... Na Baixa Idade Média, o território que o monarca representava passou a ter como símbolo a bandeira, que por isso aparece hasteada em castelos, nos navios, etc. A primeira bandeira portuguesa terá origem no reinado de D. Afonso Henriques, embora a sua composição heráldica seja desconhecida. Alguns especialistas em heráldica advogam que aquela não seria a da cruz azul em fundo branco, pois esta era precisamente a bandeira de Afonso I de Aragão, contemporâneo de Afonso Henriques. Depois deste surgiu a primeira bandeira historicamente concreta, com armas conhecidas: a de D. Sancho I, composta por um número de escudetes variável, os quais estavam também carregados de besantes em número igualmente variável. Gradualmente, estes escudetes começaram a ser em número fixo, mas ainda não se pode afirmar com segurança histórica como seria a bandeira nos dois primeiros séculos da Nacionalidade. A cruz azul em fundo branco permanece um pouco como um mito. Com maior segurança pode-se afirmar que a bandeira nacional seria quadrada e estaria completamente preenchida pelas armas reais.Só com D. João II se fixaram os cinco escudetes azuis dispostos em cruz, cada um com cinco besantes, com uma orla encarnada carregada de castelos de ouro. O número de castelos ficou então fixado em oito. Mais tarde, e erradamente, foi reduzido o número de castelos, para sete. No século XVII a bandeira tornou-se de cor branca, com escudo real ao centro encimado por coroa fechada. Com a fundação, durante o reinado de D. João VI do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, este estado passou a estar identificado na bandeira portuguesa por uma esfera armilar com o escudo nacional no centro desta, conjunto encimado pela coroa fechada. A orla castelada representava os Algarves e as quinas Portugal, conforme então a lenda rezava em meados do século XVI, quando se tornou parte da mitologia portuguesa. A esfera armilar não sobreviveu à morte de D. João VI (10 de março de 1826), ficando apenas o escudo com as quinas e os castelos em campo branco, cor da bandeira real desde há vários séculos (com exceção das de D. Sebastião e D. João IV, na sua aclamação apenas, que teriam sido encarnadas). A esfera armilar desapareceu também porque o Brasil se tornou independente em 1822. Na Monarquia liberal, e mais concretamente desde 1830, a bandeira, por decreto, passou a ser partida de azul e branco, com o escudo das armas reais sobre a divisão das cores. Assim se manteve até à República. Em 1910 ficou partida de verde e encarnado, com o escudo das quinas, sem qualquer timbre, sobreposto à esfera armilar. O escudo ficou demasiadamente grande em relação à esfera, no entanto. O verde e o encarnado foram as cores adotadas no levantamento do 31 de janeiro de 1891, em alusão a um centro federalista ibérico. As bandeiras partidas, aliás, parecem ter uma origem maçónica. A atual bandeira nacional mantém a tradição do Milagre da Batalha de Ourique, da vitória sobre os Reis Mouros coligados contra os exércitos cristãos antecedida pela visão de uma Cruz que terá falado ao monarca e lhe terá dado a garantia de um desenlace feliz.

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