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Banhos Públicos em Roma

Os banhos exerceram entre os romanos um papel muito importante, para além da finalidade higiénica. Eles constituíram verdadeiros espaços sociais e lúdicos. Os primeiros conhecidos foram os Banhos de Agripa (c. 20 d. C.).
Foi nesta época que se vulgarizaram as termas romanas. Estas eram a "praça" por excelência da cidade romana, ponto de encontro dos cidadãos, onde estes discutiam as suas ideias, a vida política e intelectual da sociedade romana. Embora não tenham sido uma invenção dos romanos, pois as termas já existiam em civilizações mais antigas, foi com este povo que elas mais se desenvolveram. As mais conhecidas e melhor preservadas são as de Caracala, em Roma, e as de Diocleciano, também nesta cidade, e através das ruínas das primeiras podemos ter uma ideia da complexa planta que tinha esta estrutura.
O edifício dos banhos formava um retângulo disposto livremente, dentro do qual havia uma área fechada, com a qual o eixo principal norte/ sul coincidia. O exterior desta área era constituído por diversas construções. Da ala norte faziam parte as repartições e residências e no meio encontrava-se a entrada principal. Na ala sul ficavam as cisternas de água e, ao longo delas, havia fiadas de assentos para os espectadores assistirem aos jogos em frente do edifício dos banhos. Os espaços dentro deste edifício eram distribuídos de uma forma complexa e extremamente ordenada. Assim, a interseção dos dois eixos definia o lugar que deveria ser considerado como o centro do edifício: um vestíbulo coberto por três abóbadas. Nos cantos, quatro pequenos vãos de janelas ou portas abriam para o vestíbulo, contendo banhos de imersão, indicando que aquele átrio era o frigidarium ou banhos frios das termas. Ao longo do eixo principal, para norte, ficava a piscina ou natatio e, para o sul, o tepidarium ou banhos mornos e o caldarium ou sala de banhos quentes, de forma circular e rodeada por diversas salas de vapor de tamanho mais pequeno, geralmente frequentadas por filósofos e poetas. O resto do retângulo era ocupado por duas palaestrae, possivelmente cobertas e rodeadas por vestiários ou apodyteria. Depois de se despirem, os visitantes entravam para as salas de vapor, das quais passavam para os banhos quentes. Daqui, seguindo o eixo principal, passavam para os banhos mornos e frios e, finalmente, para a piscina.
Os edifícios principais eram aquecidos por furnas subterrâneas e condutas ("hypocaustus") que conduziam o ar quente para os condutos que ficavam por detrás das paredes dos vários compartimentos.
Nas zonas circundantes aos banhos havia jardins, ginásio, biblioteca, teatro e estádio.
Esta planta das termas romanas não pode ser somente explicada em termos funcionais. Existem implicações simbólicas, isto é, o seu uso compreende funções que vão além do simples ato de tomar banho ou fazer ginástica. Elas tinham de possuir uma articulação e organização espacial que transcendesse as estruturas puramente utilitárias.
As termas proporcionavam ao visitante uma oportunidade de cultivar a sua mente pela conversação, leitura e outras atividades intelectuais. Durante o período imperial, estes locais funcionaram como centros cívicos, onde decisões políticas importantes eram tomadas. Funcionando como um dos sítios mais importantes da vida quotidiana romana, entende-se a razão das termas possuírem uma estrutura espacial idêntica àquela que se encontra na paisagem romana, nas colónias ou acampamentos militares e nos principais tipos de edifícios. A organização das termas espelha a organização da cidade romana, o que prova que os romanos aplicavam o mesmo modelo espacial em todos os campos.
Para além da própria estrutura que constituía uma autêntica obra de arte, as termas eram decoradas sumptuosamente: os chãos eram forrados de mosaicos de mármore; a cobertura, os assentos e as colunas eram em mármore e todas as paredes e abóbadas estucadas encontravam-se revestidas de frescos.
As termas romanas representam a maior manifestação do interesse romano na concretização do espaço interior. Para além da grande variedade de cúpulas e abóbadas que foram utilizadas no interior, houve uma preocupação de juntar tais espaços, de forma a constituir grupos complexos. Enquanto os Banhos de Pompeia ainda se caracterizam por uma distribuição irregular dos espaços, os Banhos de Tito (80) apresentam uma planta simétrica, relativamente ao eixo norte/sul. Nos Banhos de Trajano (109) também se encontra esta disposição, mas em relação ao eixo este/oeste. Este esquema que apresenta afinidades com o cardus e o decomanus do sistema de urbanismo romano, está também presente nos Banhos de Caracala (212-216) e de Diocleciano (298-306).

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