Blimunda Sete-Luas
Personagem de Memorial do Convento (1982) de José Saramago, capaz de ver por dentro as vontades dos outros, que possui o dom da clarividência.
Num tempo dominado pela aparência, o Portugal barroco, o amor que a une a Baltasar Sete-Sóis é um dos eixos temáticos de O Memorial do Convento.
Com Baltasar ajuda o padre Bartolomeu Lourenço a construir a passarola, com que um dia conseguirão voar. Quando a passarola leva Baltasar, procura-o durante nove anos até um dia, num auto de fé, em Lisboa, recolher a vontade do supliciado Baltasar Sete-Sóis.
Numa nova trindade, divina e humana ("Deus ele próprio [o padre], Baltasar seu filho, Blimunda o Espírito Santo, e estavam os três no Céu."), Baltasar, Blimunda e o padre Bartolomeu Lourenço simbolizam o sonho, a liberdade de amar e de acreditar para lá de todas as evidências, apresentando-se como o reverso de uma época onde o rei e os clérigos subjugam o povo para o cumprimento de um projeto megalómano.
O nome desta personagem dá título à opera extraída do Memorial do Convento, estreada em 1990 em Milão.
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