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Carlos Ervedosa

Escritor, jornalista e ensaísta angolano, Carlos Ervedosa nasceu em maio de 1932, em Luanda, sendo descendente de uma família portuguesa radicada em Luanda desde o princípio do século XX.
Concluiu nesta cidade o ensino secundário, tendo vindo, nos anos 50, para Portugal, Lisboa, para fazer o ensino universitário. Começando por frequentar a Faculdade de Medicina, acabou por se licenciar em Geologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde se distinguiu como dirigente da Associação de Estudantes.
Tendo sido presidente da Direção e da Assembleia Geral da Casa dos Estudantes do Império, foi também responsável pela sua secção cultural e editorial. Nesta condição, e com a colaboração do seu conterrâneo, o escritor Costa Andrade, editou algumas antologias de poetas e contistas africanos, nomeadamente a coleção Autores Ultramarinos.
Intelectual empenhado e preocupado com os desígnios do seu país, assumiu a direção da revista Mensagem, implementadora do primeiro Concurso Literário Bienal de conto e poesia e da qual foram publicados apenas dois números durante 1951 e 1952, sob a responsabilidade da "ANANGOLA" (Associação dos Naturais de Angola).
Demais, esta revista aglutinava uma diversidade de pensamentos e sensibilidades, cujo polo nuclear se centrava nos africanos que frequentaram a casa dos Estudantes do Império em Lisboa e Coimbra e que veio a ser conhecido, a nível interventivo, como a "Geração da Mensagem" e literariamente como a "Geração de 50".
Com outros intelectuais angolanos, nomeadamente, António Jacinto, Mário António, Arnaldo Santos, Luandino Vieira, Adolfo Maria e António Cardoso, deu vida à revista Cultura, órgão da Sociedade Cultural de Angola, nos últimos anos da década de 50.
Foi assistente da cadeira de Antropologia Geral na Faculdade de Ciências de Luanda, a convite do Prof. Santos Júnior com quem investigou várias estações arqueológicas e, até 1975, orientou e coordenou a página "Artes e Letras" do jornal A Província de Angola, o mais importante diário desta ex-colónia portuguesa.
Vivia no Porto, encontrando-se a trabalhar a sua obra Arqueologia Angolana, aquando da Independência de Angola. Então, voltou a Angola mas, as dificuldades encontradas obrigaram-no a regressar.
De novo em Portugal, radicou-se em Vila Real, onde, como docente e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, continuou a sua atividade de arqueologia. Assim, muitos têm sido os trabalhos desenvolvidos, nomeadamente o de escavação e restauro do Castro de Sabrosa.
Foi coordenador do Programa Integrado do Desenvolvimento Regional de Trás-os-Montes e participou em diversas edições do Seminário " Portugal: Tradição e Futuro", realizado pelo IUTAD.
Em 1987, presidiu à Comissão que promoveu, na UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), a "Semana Cultural de Angola".
Neste ano, iniciou o Projeto "Carta Arqueológica do Concelho de Vila Real" promovido pela mesma Universidade e pela Secretaria de Estado do Ambiente e Recursos Naturais, cujo produto final foi publicado em 1991.
Foi vereador da Cultura e Património Arquitetónico da Câmara Municipal de Sabrosa desde 1989 até ao momento em que a morte o surpreendeu, em 1992.
Ramificação angolana de uma árvore plantada em Portugal, Carlos Ervedosa assume-se como angolano de corpo e alma.
São seus os seguintes títulos publicados: Saudades de Luanda, em edição de autor; Poetas Angolanos, 1959, edição Casa dos Estudantes do Império; Contistas Angolanos, 1960; Literatura Angolana (resenha histórica), 1962; Itinerário da Literatura Angolana, 1972, edição Culturang (Luanda); Roteiro da Literatura Angolana, 1979, União dos Escritores Angolanos; Saudades de Luanda, 1986; Era no Tempo das Acácias Floridas, 1989; Carta Arqueológica do Concelho de Vila Real, 1991.
Como referenciar: in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [consult. 2014-12-17 21:28:01]. Disponível na Internet: