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cefalópodes

Os cefalópodes constituem a classe mais evoluída de todos os moluscos e, em alguns aspetos, os mais evoluídos de todos os invertebrados. Esta classe está representada por cerca de 650 espécies vivas e parece ser um grupo em decadência, já que se conhecem 10 000 espécies fósseis que começaram a desenvolver-se no Câmbrico, inclui o maior invertebrado vivo, a lula gigante Architenthis, que atinge o comprimento de 16 metros, tendo já sido encontrados exemplares de 23 metros. Os cefalópodes divergiram muito do tipo de molusco ancestral, como o provam aspetos da sua morfologia e fisiologia. As primeiras conchas eram cónicas, outras curvas ou enroladas, culminando com as conchas semelhantes à do Náutilo, o único membro sobrevivente dos Nautilídeos. Cefalópodes sem concha ou concha interna, tais como choco, aparentemente evoluíram de um ancestral de concha reta. Muitos amonoides, que estão extintos, desenvolveram elaboradas conchas que permitiram a sua classificação.
A história natural de alguns cefalópodes é razoavelmente bem conhecida. São animais marinhos que manifestam sensibilidade ao grau de salinidade. Alguns encontram-se no mar Báltico, cuja salinidade da água é baixa. Encontram-se cefalópodes a diversas profundidades. O polvo é muitas vezes encontrado na zona litoral, coberto pela maré cheia e descoberto na maré vaza entre as rochas mas, ocasionalmente, é encontrado a grandes profundidades. Os chocos são raramente encontrados em águas pouco profundas e alguns têm sido encontrados a profundidades de 5000 metros. O Náutilo é geralmente encontrado à profundidade compreendida entre 50 a 60 metros próximo das ilhas do sudoeste do oceano Pacífico.
Em contraste com a imagem estereotipada de considerar os moluscos como animais de movimentos lentos empregando mecanismos mucoso-ciliares, os cefalópodes são predadores pelágicos de movimentos rápidos. Para que se tenham convertido em carnívoros velozes, foram necessárias alterações básicas na forma original do corpo e do funcionamento muscular. Uma das coisas necessárias para a rapidez de movimento é o aumento do ritmo metabólico que, por sua vez, implica a obtenção de mais oxigénio e a eliminação de mais dióxido de carbono. Para isso os cefalópodes desenvolveram um sistema circulatório fechado.
Os cefalópodes nadam forçando a expulsão de água da cavidade do manto através de um funil ventral ou sifão, uma espécie de propulsão a jato. O funil é móvel e o seu movimento é utilizado para controlar a direção. A velocidade é controlada pela força com que a água é expelida.
Nos cefalópodes, o pé rodeia a cabeça e está dividido em braços ou tentáculos: cerca de 70 ou 80 no náutilo, 10 no choco e 8 no polvo. Possuem cérebros bem desenvolvidos, formados por muitos grupos de gânglios, e sistemas sensoriais altamente específicos. Possuem, por isso, respostas rápidas a qualquer estímulo. Numerosas espécies possuem uma bolsa de tinta ou bolsa do ferrado, cuja secreção - sépia - é expulsa para o exterior, o que turva a água e dissimula a presença do animal. Um ou dois pares de brânquias estão suspensas na cavidade paleal, cuja parede é muito musculosa.
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