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circo

As origens do circo, chamado de maior espetáculo do mundo, remontam a 1768, quando o militar inglês Philip Astley, que fazia acrobacias a cavalo, deu conta que se galopasse em círculos a força centrífuga ajudá-lo-ia a manter o equilíbrio. Astley, entretanto, contratou um palhaço, músicos e outros artistas para animar o público, enquanto colocou um telhado sobre o espaço circular onde atuava e instalou um palco para atuações teatrais. Curiosamente, Astley chamava a este edifício, situado em Londres, anfiteatro ou escola de hipismo e acabou por ser um seu rival, o antigo empregado e também cavaleiro Charles Hughes, quem, pela primeira vez, mas já uns anos mais tarde, em 1782, empregou o termo "circus". Hughes abriu o Royal Circus a poucos metros do recinto do antigo patrão.
Só aqui surgiu o circo, mas as pessoas já conheciam muitos dos números, que há largos anos eram representados individualmente ou por pequenos grupos de artistas na Europa, África e Ásia, tanto em feiras como nas cortes.
Na segunda metade do século XVIII, o declínio das tradicionais feiras, onde atuavam muitos malabaristas, acrobatas e ilusionistas, ajudou ao sucesso dos circos, para onde se transferiram muitos dos artistas.
Em 1772, Philip Astley levou o seu espetáculo a França, tendo atuado perante a corte. Constatou então que também havia muitos artistas dispostos a atuar em circos e, passados dez anos, regressou a França para abrir um anfiteatro. Contudo, a guerra entre ingleses e gaulesas levaram-no a abandonar o negócio, que deixou nas mãos do nobre veneziano Antonio Franconi, que depois de ter sido artista e cavaleiro se tornou responsável, com muito sucesso, pelo anfiteatro. Os seus filhos e netos pegaram depois no negócio e a família Franconi acabou por se tornar a fundadora do circo em França. Criou também o anel de circo com 13 metros de diâmetro, medida de arena ainda hoje muito em voga
Em 1782, Philip Astley visitou Bruxelas, Viena e Belgrado e nas suas viagens pela Europa foi o responsável pela criação, no total, de 19 companhias permanentes de circo. No entanto, acabou por ser o antigo discípulo Charles Hughes a levar o circo até à Rússia, em 1793, precisamente o mesmo ano em que John Bill Ricketts, um experiente cavaleiro inglês, introduziu este espetáculo na América.
A evolução do circo baseou-se também no teatro e para animar as assistências eram representadas peças, com os atores montando a cavalo e encenando guerras famosas.
Nas primeiras décadas do século XIX, numa altura em que apareceram as tendas que ainda hoje são a imagem de marca do circo, começaram a surgir no programa dos espetáculos os palhaços, os acrobatas, os trapezistas e os domadores de animais selvagens. Na segunda metade do século, surgiram as paradas na rua para chamar a atenção das pessoas.
Numa tradição que se manteve desde o século XIX até hoje, começaram a florescer as famílias circenses, que passavam os seus conhecimentos de geração em geração. Surgiram os grandes circos, com mais do que uma pista e em 1871 apareceu um em Nova Iorque que criou a expressão: "O maior espetáculo do Mundo".
Após a Primeira Guerra Mundial, as companhias de circo começaram a sentir grandes dificuldade económicas, nomeadamente porque as viagens transfronteiriças se tornaram bastante complicadas, e entraram em declínio.
Um grande incêndio em 1944 que vitimou 168 pessoas e posteriormente a concorrência da televisão e do cinema ajudaram a afundar o circo na América na década de 50.
De qualquer forma, o circo foi-se aguentando, principalmente graças às companhias itinerantes que vão acampando com as suas tendas em qualquer terra, grande ou pequena, lutando, inclusive, contra os defensores dos direitos dos animais, que as acusam de maus tratos aos bichos.
Em 1974, o príncipe Rainier do Mónaco instituiu o Festival Anual do Circo de Monte Carlo, que junta durante alguns dias no inverno os melhores artistas circenses do Mundo. Estes exibem-se perante um júri, que atribui aos melhores em cada especialidade o prémio Palhaço de Ouro. Depois, os melhores momentos são transmitidos internacionalmente pela televisão.
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