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civilidade

Conceito que deriva do étimo civile, todo aquele que habitava na cidade, ou civitate. A civilidade baseia-se na harmonia das relações humanas entre cidadãos, a partir de códigos de ética e de regras de conduta e mutualidade, de respeito. Nasceram assim as normas, primeiro verbais, depois plasmadas em códigos, no sentido da disciplina e da organização, da moral social e da convivência entre todos os indivíduos que formam o grupo. A civilidade pode ser entendida também como um conjunto de conhecimentos práticos para a vida em sociedade, os quais não se aprendem na escola. A civilidade vincula e relaciona, cria condições para que haja harmonia, sã convivência na sociedade. Até ao século XVI partia do cumprimento de exigências de natureza religiosa. Daí a civilidade ter sido muitas vezes tratada literariamente, como virtude social e moral coletiva, pois torna possível um conjunto de práticas comuns num espaço coletivo.
Na Idade Média, até à Reforma protestante, a civilidade foi abordada literariamente segundo três géneros: os tratados de cortesia, as regras de moral coletiva e as artes de bem amar ou do prazer. Estes três tipos foram condensados num só género, a partir de Erasmo de Roterdão, que elaborou o modelo dos manuais de civilidade (A Civilidade Pueril, 1530) e fixou o termo. Esta obra é um tratado de educação entendida como um processo de polimento do indivíduo, através da assimilação de regras externas de comportamento, como a higiene, por exemplo. Um outro modelo de conceção unificada de civilidade foi o que apresentou Baldassare Castiglione, no seu Il Cortegiano (O Cortesão, 1528), por sinal dedicado a D. Miguel da Silva, bispo de Viseu, português. De Portugal veio também a lume, em 1619, uma obra composta por diálogos ao jeito didático sobre os preceitos da vida na corte, Corte na Aldeia, da autoria de Francisco Rodrigues Lobo, um retrato do descontentamento da nobreza portuguesa pelo desaparecimento da vida cortesã em Portugal, devido ao domínio filipino. A obra de Maquiavel insere-se também na abordagem renascentista do conceito de civilidade, a qual, a partir destes autores, surge como um modelo pedagógico, um valor seguro de vida em sociedade, de regras de urbanidade, de comportamentos, a arte da cortesia. As virtudes individuais não se podem ensinar ou aprender nos livros e na escola, mas as coletivas, que enformam a civilidade, começaram no Renascimento a serem propaladas pelos manuais e tratados.
Um outro traço definidor do conceito foi dado pelos caracteres de civilidade, que foram inventados pelo impressor Robert Granjon no ano de 1556, em Paris, e passaram a ser usados na cidade de Lyon a partir do seguinte ano. Eram em letra cursiva e foram exclusivos do seu inventor durante o período de dez anos, conforme o privilégio régio que lhe foi concedido. Após este período foram usados por impressores um pouco por toda a França.
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