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Companhia das Índias Ocidentais

Nome comum a várias organizações comerciais criadas no século XVII, dedicadas, sobretudo, à exploração comercial dos continentes africano e americano. A mais importante foi a Companhia das Índias Ocidentais holandesa.
Com os mesmos princípios e objetivos que enquadraram historicamente a fundação da Companhia das Índias Orientais holandesa em 1602, é criada, em 1621 (quando é reatada a guerra com Espanha, finda a Trégua dos Doze Anos), uma sua congénere no mesmo país mas com uma área geográfica de intervenção diferente. Foi idealizada por Willem Usselinx (comerciante holandês) e defendida por políticos como Hugo Grotius no intuito de colonizar regiões americanas e africanas. Assim, a Companhia das Índias Ocidentais (West Indische Compagnie), com a mesma estrutura e fins da anterior, possuía o monopólio do comércio holandês na América (a princípio só a sul do Trópico de Câncer), na costa ocidental de África e no Pacífico a leste das Molucas. Encetaram, porém, projetos de conquista e colonização noutras paragens, nomeadamente em regiões sob administração portuguesa e numa altura em que estas estavam fragilizadas pelo abandono militar motivado pela dominação espanhola de Portugal e colónias.Tal como a Companhia das Índias Orientais, estava aberta à participação de todos os cidadãos, que a ela se poderiam associar e aí investir, pela compra de ações. A sua origem remonta aos ataques isolados de corsários holandeses à carreira das Índias dos portugueses ou ao galeão de Manila dos espanhóis, para além de embarcações de outros países intervenientes no Atlântico após o fim do mare clausum ibérico.
O Nordeste do Brasil (Baía, Pernambuco e Maranhão), entre 1624 e 1630, a tomada de Luanda em 1641 e ataques a São Tomé e Príncipe e a S. Jorge da Mina (conseguindo apoderar-se da feitoria portuguesa ali existente) na mesma altura, atestam a cobiça holandesa pelas colónias portuguesas, principalmente o Brasil do açúcar e do pau-brasil, para além da fonte de mão de obra escrava que era Angola. O Brasil foi o principal projeto da Companhia, para o qual despendeu avultados investimentos e enorme mobilização de contingentes militares. A sua conquista, para além de lucrativa, tornaria a região uma base de operações navais contra as frotas espanhola (transportadora de ouro e prata) e portuguesa (carreira da Índia, escravos e especiarias, principalmente). Tendo resultado num enorme fracasso, pelos meios materiais e humanos que reuniu, acabou por revelar-se lucrativa a longo prazo: conhecidos os métodos e técnicas do cultivo da cana e fabrico do açúcar, logo os transplantaram para o Suriname e colónias nas Antilhas Holandesas (Curaçau, onde estava a base operacional, Aruba, Bonaire...).Para além destes empreendimentos, a fundação, em 1626, de Nova Amsterdão (Nova Iorque) na América do Norte traduz a intenção de dominar várias regiões atlânticas por parte da Companhia, perfeitamente integrada, aliás, no espírito do comércio triangular, do qual era um dos pilares. Também o Cabo será uma área de colonização importante, estando na origem da atual minoria afrikaner da África do Sul. Os lucros desta Companhia, como da das índias Orientais, eram aplicados no investimento na indústria manufatureira holandesa, transformadora das matérias-primas coloniais em produtos lucrativos que se trocavam por outros de maior valor em África (sobretudo escravos) ou na América e Ásia (ricas em matérias-primas).De novo, conhece a concorrência cada vez maior de outras companhias comerciais na mesma área pertencentes a outras potências europeias, como a França e, principalmente, a Inglaterra. A primeira com a Companhia do Canadá (1599) e a das Ilhas da América (1635), protegidas e ativadas por Colbert, que cria a Companhia das Índias Ocidentais Francesas em 1664, porém sem grande peso concorrencial perante as Províncias Unidas, e com duração efémera (funde-se com a Companhia das Índias Orientais em 1719, por iniciativa de Law).A Inglaterra, por intermédio do corso e da pirataria, da colonização de grande parte da América do Norte, expulsando daí os holandeses (1664), tal como das Antilhas, e da rentabilização de rotas comerciais lucrativas no âmbito do comércio triangular (criando mesmo uma Companhia das Índias Ocidentais, em 1615), apoiadas nas incursões em África (Cabo, entre outras regiões), rapidamente liquida os interesses e as perspetivas comerciais e dominadoras da Companhia das Índias Ocidentais das Províncias Unidas, já fortemente abalada com a derrota brasileira. A presença de colonização estável nas Américas impediu-lhe um maior acesso às suas terras e riquezas, para além de que privilegiava fontes de rendimento que exigiam menos trabalho e organização, como o contrabando, o corso e o tráfico fraudulento de escravos. A experiência brasileira e as plantações nas Antilhas são exceções. O Atlântico, muito cobiçado e já colonizado, não era tão favorável como o Índico. Com prejuízos e perda de concessões e rotas, a Companhia das Índias Orientais holandesa entra em falência, dissolvendo-se em 1684.

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