"Piedosa coisa era ouvir os gemidos daqueles mouros depois que foram arrastados da sombra dos muros da sua cidade (…) chorando a sua perdição (…) diziam eles:
– Oh, cidade de Ceuta, flor de todas as outras da terra de África! Onde acharão os teus moradores (…) daqui em diante, os mouros (…) que vinham da Etiópia e de Alexandria (…) e das Índias e das outras muitas terras (…) cansados de tantas e tão ricas mercadorias? Onde acharão eles outro lugar semelhante onde possam lançar suas âncoras? (…) Quais de nós acharão agora, quando se levantarem das suas casas, as bestas carregadas de seda que nos vinha da cidade de Damasco ou as casas cheias de pedras preciosas da comunidade de Veneza ou os grandes sacos de especiarias que nos vinham dos desertos da Líbia? (…)"
Gomes Eanes de Zurara em Crónica da Tomada de Ceuta (adaptação)