conversação
A conversação é um processo social que requer determinadas condições para que os participantes a possam identificar enquanto tal, de modo a manter o seu desenrolamento. Por exemplo, as pessoas olham umas para as outras enquanto falam ou ouvem, fazem perguntas e respondem a questões, acenam a cabeça, etc. Quando tais sinais não existem, a conversação acaba, eventualmente, dando lugar a uma situação social de um outro tipo. Num dado sentido, como refere Berthet (1979: 127), a principal função da conversação é a função fáctica, já que falar não consiste apenas numa troca de informações, mas em manter a possibilidade dessa mesma interação.
Os constrangimentos conversacionais são de três tipos (1985, MOESCHLER, Jacques - Argumentation et conversation - éléments pour une analyse pragmatique du discours. Paris: Hatier): interaccionais, estruturais e de encadeamento. Os primeiros traduzem-se na obrigação, por parte dos participantes, de satisfazer os rituais de "abertura", de "fecho" e de "reparação", impostos através do constrangimento interaccional de respeitar o território do outro e de não o ameaçar. Por constrangimentos estruturais, Moeschler entende aqueles que são inculcados pela conversação no que se refere à estrutura do seu encadeamento.
Ao contrário dos primeiros, estes constrangimentos não implicam que as interpretações e os encadeamentos sejam impostos pelas obrigações interaccionais, mas pelas propriedades de uma estrutura conversacional: a interpretação e o encadeamento têm por função ou fazer progredir a interação ou levá-la ao seu encerramento. Finalmente, os constrangimentos de encadeamento correspondem aos princípios de interpretação e de satisfação: constrangimentos interpretativos (princípio de interpretação) e constrangimentos sequenciais (princípio de satisfação).
Gabriel Tarde é um dos estudiosos que diz que a conversação atenua as distâncias e destrói mesmo as hierarquias à força de as exprimir. Para este autor, a natureza profunda da sociabilidade consiste na "sublimação da troca".
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