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curva da procura

Uma das principais áreas de análise económica é a área dos mercados e das relações que a eles estão subjacentes. Genericamente, pode definir-se um mercado como um lugar (não necessariamente físico) onde interagem dois lados, a oferta e a procura, que buscam determinados objetivos. Assim, o lado da oferta, constituído pelas entidades que têm bens e serviços para vender (empresas e outras entidades similares), tem como objetivo fundamental a venda da maior quantidade possível desses bens e serviços ao melhor preço possível, de forma a maximizar o seu lucro e os seus índices de rendibilidade. Paralelamente, o lado da procura, constituído pelo conjunto dos compradores potenciais, tem como principal objetivo a satisfação de necessidades de vária ordem (físicas, sociais, etc.), dentro de uma determinada restrição orçamental que não podem naturalmente ultrapassar.
Um mercado dito normal funciona de acordo com a chamada lei da oferta e da procura, comprovada empiricamente, que pode ser vista numa dupla perspetiva: por um lado, a lei da oferta traduz o facto de os vendedores estarem dispostos a oferecer maior quantidade de bens e serviços no mercado se o respetivo preço for superior e vice-versa; por outro lado, a lei da procura determina que, quando o preço de um bem ou serviço baixa, os compradores procuram uma maior quantidade do mesmo, ao mesmo tempo que a quantidade procurada diminui quando se verifica um aumento do preço. Este comportamento é válido para bens normais, sendo que nos bens de Giffen acontece precisamente o contrário, ou seja, verifica-se um aumento da quantidade procurada quando aumenta o preço.
As razões para o referido comportamento da procura derivam de dois efeitos fundamentais: o efeito-substituição (com um aumento do preço de um produto, os consumidores passam a escolher substitutos próximos) e o efeito-rendimento (que traduz o facto de os compradores, com um aumento de preços, não disporem de rendimento suficiente para a aquisição do mesmo produto).
Em termos matemáticos, a lei da oferta é representada pela curva da oferta (ou função oferta), que vai representar o conjunto de pontos que traduzem relações preço-quantidade para as quais os vendedores estão dispostos a oferecer.
Por seu turno, a lei da procura é representada em termos matemáticos pela denominada curva da procura ou função procura. Neste contexto, a curva da procura vai representar o conjunto de pares preço-quantidade para os quais os compradores atingem o nível de satisfação desejado.
Tendo em conta a lei da procura, segundo a qual a quantidade procurada aumenta à medida que o preço diminui, a Curva da Procura de bens normais vai apresentar, em termos de representação gráfica considerando no eixo vertical a variável preço e no horizontal a variável quantidade, uma forma decrescente, ou seja, declive negativo (em termos de pontos cardeais de noroeste para sudeste).
A curva da procura de um determinado mercado deriva da soma das curvas da procura individuais de todos os elementos que intervêm nesse mercado precisamente do lado da procura.
É importante referir ainda que o preço não é o único fator condicionante da procura, que de facto é também influenciada por aspetos como o preço dos outros bens, o rendimento, fatores sociológicos, etc. Deste modo, a curva da procura, ao levar em conta apenas o preço, pressupõe todos os outros elementos como constantes (condição ceteris paribus).

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