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Definição de Áreas de Influência (pós-II Guerra)

No final da Segunda Grande Guerra vivia-se um clima de entusiasmo, uma vez que, vencedores, os Estados Unidos, entre as outras nações aliadas, tinham colocado um ponto final no isolacionismo americano e entravam na era atómica, além do patriotismo se ter exacerbado com a vitória. A 4 de fevereiro de 1945 realizou-se a Conferência de Ialta, que definiu o xadrez geopolítico ao reclamar as promessas por cumprir de Estaline, como por exemplo a independência dos países do Leste ocupados durante a Segunda Guerra Mundial. Em julho e agosto desse ano efetuou-se a Conferência de Potsdam, conferência final dos líderes dos Aliados para a redefinição territorial do Japão e da Alemanha e de fronteiras em geral. Em 1947 iniciou-se a Guerra Fria, resultado do antagonismo ideológico entre a URSS e os EUA, sendo que estas eram as duas potências da altura, com maior dimensão, muitos recursos e Forças Armadas de grande relevo. É neste contexto que o presidente Harry Truman torna público que os EUA se comprometem a "ajudar os povos livres que estejam a resistir a tentativas de subjugação por parte de minorias armadas" (sendo esta a chamada "doutrina Truman" e o prenúncio da política de ajuda a todos os povos, com o fim de combater o avanço do Comunismo). Neste mesmo ano é apresentado por George Marshall, secretário de Estado dos EUA, um plano de ajuda económica à Europa, uma transferência a fundo perdido para a sua reconstrução e assim evitar o avanço do Comunismo. No início dos anos 50 dava-se uma "caça às bruxas" nos EUA, por mão do senador McCarthy, causada pela humilhação sentida pelo País quando se deu a Revolução Comunista Chinesa (1949) e a Guerra da Coreia (1950-1953). Neste segundo pós-guerra houve igualmente uma corrida ao armamento pelos dois blocos antagonistas, a URSS e os EUA, incentivada pelo agravar das desconfianças durante a Guerra Fria. Esta rivalidade foi entretanto transferida para conflitos regionais no "Terceiro Mundo", sendo estes combates políticos origem de graves problemas de subdesenvolvimento em que hoje estes países se encontram mergulhados. Contudo, a Guerra do Vietname (1965-1973) debilita a aura triunfal dos EUA dos pós-Segunda Guerra Mundial, desmoralizando o país com uma derrota humilhante que causou a retirada e o isolamento internacional. As áreas de influência dos EUA incluíam a Europa Ocidental, através da política de aliança militar concretizada na NATO (1949) e em certa medida pelo controlo político da própria ONU (1945). Havia igualmente um apoio direto ou indiretos à ditaduras militares da América Central, do Sul e Caraíbas, sob a capa de defesa anti-comunismo. A colisão dava-se com as áreas de influência comunistas chinesas e soviéticas, como as zonas do Pacífico e Sudeste asiático. Aqui, os EUA controlavam apenas a Coreia do Sul, o Laos (Vietname), a Taiwan e a ditadura indonésia, assim como as Filipinas. Em África digladiavam-se estes dois grandes blocos, lutando o ocidental contra a influência soviético-chino-cubana, como por exemplo em Angola. No Médio Oriente o interesse fundamental era o petróleo, sendo Israel placa giratória do poder americano na Turquia, por exemplo, assim como no Iraque (até 1991, altura em que rebentou a Guerra do Golfo). No Irão deu-se em 1979 a revolução iraniana, em que os ayatollahs, apoiados secretamente pela URSS, se rebelaram contra os EUA. Entretanto (1959), em Cuba revoltaram-se os "Barbudos" de Fidel Castro, a par das guerrilhas comunistas na América Central e do Sul.
A Europa Ocidental aglomerou-se através da NATO, tendo a "Doutrina Jdanov" enunciado a inevitável cisão do mundo em duas partes, a ocidental, capitalista, e a oriental ou comunista (que compreendia a URSS, a Europa de Leste - Polónia, Checoslováquia, Alemanha Democrática, Jugoslávia, Bulgária, Roménia e Hungria - a China, até à rutura maoísta, a países africanos como Moçambique, Angola, Líbia e Argélia). Quase todos os países de África tinham apoios substanciais em armamento, conselheiros militares e ajuda económica por parte da URSS até aos anos 80, com o fim de incentivar as lutas contra as nações colonizadoras. Os comunistas apoiaram igualmente a Coreia do Norte, quando se deu o conflito com a do Sul (1950-1953), assim como o Vietname do Norte e à guerrilha vietcong contra os EUA e o governo fantoche de Ngo Dinh Diem, pró americano. Estenderam-se ainda os tentáculos até ao Cambodja, com o governo de Pol Pot, ao Afeganistão, invadido em 1979, ao Iémen, do Chile (com Salvador Allende, à frente do governo entre 1770 e 1773) e a Cuba (cuja crise dos mísseis de 1962 mais marcou a hostilidade entre os dois blocos na chamada Guerra Fria). A "Perestroika" marcou o final dos regimes comunistas da Europa de Leste, do expansionismo soviético, da URSS e quiçá do próprio Comunismo.
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