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Descolonização de África

No início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Europa apresentava-se como sendo a "potência" dominadora do mundo. O mais velho continente europeu, juntamente com as suas colónias asiáticas e, sobretudo, africanas contava cerca de um terço da população mundial.
Todavia, os territórios dominados pelas grandes potências tinham diferentes estatutos, que variavam do autónomo ao tutelado. Estas denominações continuaram em vigor depois do final da guerra, em 1918. Nessa altura ainda não se notava, nas colónias africanas, o desejo de emancipação relativamente à potência colonizadora, embora se verificasse já o insurgimento de algumas minorias nacionalistas.
O poder colonialista europeu prolongou-se até ao fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), altura em que as rebeliões patriotas deixaram de aceitar a opressão dos regimes estrangeiros.
A participação em dois conflitos internacionais e principalmente o combate de africanos na Primeira Guerra Mundial, não foram bem vistos pela população das colónias, que se preparava para exigir da sua potência colonizadora a obtenção de um estatuto diferente.
A descolonização em África passou por várias etapas até que os países sob influência estrangeira conseguissem alcançar a independência. As principais organizações que contribuíram para o arranque deste processo foram a Sociedade das Nações - SDN - (no pós Primeira Guerra Mundial) e a ONU (no pós Segunda Guerra Mundial). A SDN, com o fim das hostilidades internacionais em 1918, decidiu retirar os privilégios que os países perdedores tinham sobre as suas colónias africanas. Consequentemente, a Itália e a Alemanha tiveram de abdicar da sua condição de países colonizadores, uma vez que as colónias que controlavam foram atribuídas aos países vencedores. A Organização das Nações Unidas, deliberou, no final da Segunda Guerra Mundial e com a ajuda dos EUA, que a Europa deveria desfazer-se do seu passado colonialista, conferindo a independência aos países africanos.
Deste modo, com o fim da Primeira Grande Guerra, a Alemanha foi forçada, em 1920, a deixar o Togo (que controlava desde 1884), os Camarões (em 1916) e a África Oriental Alemã (a mais importante colónia daquele país).
A Itália, outra das potências colonizadoras, também perdeu o domínio africano em pouco tempo. A Líbia, que os italianos tinham anexado ao seu território em 1912, foi perdida durante a Primeira Guerra Mundial, embora em 1918 a Itália a tenha reconquistado. Com a subida de Mussolini ao poder, em 1925, os italianos tentaram invadir a Etiópia. Como consequência do ato imperialista, a Sociedade das Nações interveio, declarando a Itália um Estado agressor, ao qual foram impostas retaliações económicas. Mas o conflito com os etíopes continuou e, em 1936, a Etiópia foi anexada às colónias italianas. Este país conseguiu a independência em 1942, graças à debilitação que a Itália sofreu com a participação na Segunda Guerra Mundial. Com o fim deste conflito a Itália é forçada a renunciar às suas colónias, das quais abre mão, continuando apenas, até 1960, com o domínio sobre a Somália.
Entre 1941 e 1945 mantiveram-se como grandes potências colonialistas Portugal, Inglaterra, França e Bélgica.
O domínio britânico centrava-se na África do Sul (que compreendia o Cabo, Natal, os Estados Livres de Orange e o Transval). Esta junção de colónias deu origem à União da África do Sul, que tinha participado em ambas as guerras mundiais. Nos anos 30, a Inglaterra iniciou o regime do apartheid, que consistia na separação das raças branca e negra, a nível político, económico e social. A atitude britânica foi constantemente criticada pela ONU, e em 1961 a União da África do Sul deixou de estar inserida na Commonwealth, passando a República da África do Sul, sob o estatuto de independente. A maior oposição ao colonialismo britânico veio do Egito, que conseguiu a independência em 1953 depois de alguns anos de confronto entre a resistência nacionalista e as tropas monárquicas. A luta dos egípcios foi determinante para a descolonização do mundo africano, uma vez que serviu de exemplo para países como o Sudão, que rapidamente se empenhou na conquista da independência (1956).
As colónias francesas estendiam-se pelo norte e noroeste do continente africano: Argélia, Tunísia e Marrocos. Este último foi o país que maior resistência trouxe ao domínio francês. Em 1921 organizou-se um movimento armado que lutava pela independência, e só em 1926, com a ajuda de Espanha, é que a França conseguiu fazer capitular o líder do grupo. Novos levantamentos tiveram lugar entre 1943 e 1944. A independência foi concedida pela França em março de 1956.
A Bélgica teve o seu maior desafio no Congo. Em 1960, dezassete antigas colónias tinham alcançado a independência, facto que trouxe novo alento à população congolesa. A guerra civil tornou-se inevitável e a Bélgica não conseguiu acalmar os revoltosos. A independência da então República Democrática do Congo foi proclamada em 30 de junho desse ano, mas as forças belgas não retiraram do território. Por mais cinco anos verificaram-se vários confrontos internos, motins e uma intervenção das Nações Unidas; um caos que acabou com o início da ditadura militar a 25 de novembro de 1965, protagonizada pelo general Mobutu.
Portugal foi dos últimos países europeus a deixar as colónias. Depois da Segunda Guerra Mundial, a ONU começou a pressionar a Europa no sentido de pôr termo às tradições colonialistas. Depois de França e Inglaterra terem deixado grande parte das suas colónias, até ao final da década de 60, a pressão sobre Portugal aumentou, mas Salazar não tinha intenções de abandonar as suas fontes de riqueza. Contudo, a independência dos territórios sob administração portuguesa tornou-se inevitável com a queda do regime ditatorial, a 25 de abril de 1974.
A imagem política africana sofreu uma alteração profunda em vinte anos. Surgidos nas primeiras décadas do século XX, foi no final da Segunda Guerra Mundial que os pequenos movimentos nacionalistas e pro-independentistas ganharam força, levando à queda das potências colonizadoras. O processo da descolonização de África só ficou concluído em 1981.
As décadas 70 e 80 foram caracterizadas pela concretização das últimas independências de países africanos: Guiné-Bissau (1974), Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Angola (1975), Seychelles (1976), Jibuti e Botswana (1977), Zimbabwe (1980) e Ciskei (1981), embora estas duas repúblicas não sejam reconhecidas como tal internacionalmente.
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