Artigos de apoio

Dificuldades de Sobrevivência na África Subsaariana

A situação dramática de deterioração das condições de existência nos países que integram a África Subsaariana (34 dos quais são dos menos desenvolvidos do mundo), como é o caso da Nigéria, do Sudão, a Serra Leoa, do Chade, da Guiné-Bissau, Guiné Conacry, Senegal, Gâmbia e Gana faz com que a emigração seja elevada, sendo os principais destinos os países que em tempos os colonizaram. Esta situação agravou-se com a descolonização dos primeiros decénios do século XX, que se verificou na maioria destes países por parte das potências europeias que os detinham. O Gana foi o primeiro país a ser descolonizado (pelo Reino Unido) na zona subsaariana, na sequência de lutas empreendidas pela resistência local já desde o início da colonização e, em determinados locais, esta luta prolongou-se contra as tentativas contínuas de domínio por parte de outras potências que pretendiam exercer o seu poder e explorar o território. Num processo que se desenrolou até 1980, a progressiva descolonização não isentou os países africanos de laços que os ligavam às antigas potências colonizadoras, uma vez que necessitavam de apoio militar e muitas vezes económico. Assim, criadas estas relações de dependência, os territórios africanos viram-se obrigados a ser palco e sofrer as diretas consequências dos confrontos entre os dois grandes blocos de Leste e de Oeste. Resultaram assim regimes políticos locais de característica ditatorial ou autoritária que zelam por interesses económicos e políticos das classes dirigentes, articulados com a política dos ditos blocos Leste-Oeste, em detrimento da melhoria de condições da população. Por outro lado, a aplicação de modelos políticos de desenvolvimento de países mais desenvolvidos a estes africanos causou um autêntico descalabro sócio-económico. A Organização de Estados Africanos obriga a que cada país respeite as fronteiras dispostas nas épocas de colonização (com o intuito de não se despoletarem um sem número de conflitos nacionalistas e/ou étnicos), o que contudo suscitou inconformidade em muitos dos territórios. Contudo, verificaram-se graves situações de tensão étnica na África central e subsaariana, como são os conhecidos casos do Ruanda, Burundi, Nigéria, Congo, Libéria e entre o Mali e o Burkina Faso, situações em que se verifica uma forte tendência para a consolidação de uma identidade cultural e o despoletar de conflitos internos brutais que levam muitas vezes a extremos como o genocídio. Como agravante existia ainda a lei do apartheid na África do Sul (entre 1948 e 1991), em que a segregação racial originou inúmeros problemas sociais e de subdesenvolvimento. De facto, a esperança média de vida em África dificilmente ultrapassa os 70 anos, existindo em contrapartida um crescimento demográfico extremamente elevado. O fenómeno da SIDA é nestes territórios extremamente preocupante, calculando-se que uma em cada cinco pessoas está infetada. Generalizou-se o pânico e as crenças surgidas da falta de informação adequada levam a violações de crianças e adolescentes, muitas vezes em grupo, uma vez que existe a crença de que a manutenção de relações sexuais com uma virgem imuniza contra o vírus. A pobreza extrema e falta de médicos impede que se trave o alastrar da doença, incentivada por uma proliferação de sociedades com elevados graus de prostituição e com rituais de extração de parte dos genitais femininos sem condições higiénicas, sendo além disso patriarcais e polígamas. A mulher submete-se deste modo e em absoluto ao homem, o que origina um número superior de mulheres afetadas em relação aos homens. A difusão desta praga acabou por afetar gravemente as estruturas económicas e sociais, impedindo o desenvolvimento pela falta de mão de obra, prejuízo no setor da saúde e aumento exponencial do nível de órfãos (e da subsequente criminalidade e falta de profissionais no futuro). As Organizações Não Governamentais, e outras ajudas internacionais, são as que mais contribuem para o regredir destas condições calamitosas que se exacerbam ao acarretar o investimento de capitais estrangeiros em nações menos problemáticas.
Estas difíceis condições de vida provocaram autênticos êxodos, como a proliferação de campos de refugiados em diversos países africanos e uma onda incontrolável de emigração sobretudo para a Europa e América.
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