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Diogo do Couto

Diogo do Couto, protegido pelo infante D. Luís, estudou latim e retórica no Colégio de Santo Antão e filosofia no Convento de Benfica. Pela morte do infante, com 17 anos, partiu para a Índia, de onde regressou dez anos depois. Amigo íntimo de Camões, ajudou-o, na década de 70, quando ele regressou a Portugal.
Diogo do Couto voltou, depois, para o Oriente, tendo recebido do infante Filipe II a missão de continuar as Décadas de João de Barros. Escreveu as que vão da IV à XII, mas apenas publicou completas a IV, V e VII e um resumo da VIII e IX porque a VI ardeu na Casa da Imprensa, a VIII e IX foram-lhe roubadas, a XI perdeu-se. A XII saiu postumamente.
Entendendo que a história deve dizer "verdades" sem restrições, acaba por sofrer repressão, revelando como a objetividade incomodava aqueles cujos antepassados estavam implicados nos factos que narrava. O historiador criticou os abusos correntes na Índia, protestando frontalmente contra eles.
Além das Décadas, de orações congratulatórias e comemorativas que proferiu em solenidades no Oriente, e do relato do naufrágio da nau S. Tomé, inserto na História Trágico-Marítima, escreveu o célebre Diálogo do Soldado Prático, que contém uma crítica cerrada ao funcionalismo da Índia, pondo a nu a ambição da riqueza, o amor ao luxo, a opressão dos pobres, a falta de dignidade e a deslealdade nas informações ao rei.
Foi guarda-mor do Arquivo da Índia e morreu em Goa a 10 de dezembro de 1616.

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