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Dislexia - qual é o papel dos pais?







Dislexia - qual é o papel dos pais?
As crianças com dislexia têm tendência, a nível emocional, a desenvolver uma baixa autoestima e um baixo auto conceito. É a este nível que os pais podem ter um papel determinante.







Tinha apenas decorrido uma semana de aulas quando fui falar com a professora do Paulo, não para saber os resultados escolares, mas para cumprir alguns dos compromissos do início do ano letivo (pagar os livros, a caixa escolar, etc.). A professora sugeriu-me que ficasse para o fim porque precisava falar comigo em particular. Os poucos minutos de espera pareceram tempos infinitos... O que seria?
Tudo me passou pela cabeça exceto o que ouvi. "O seu filho tem muitos problemas e mais vale eu ficar a saber o que se passa desde o início para o poder ajudar." Eu conhecia o meu filho há seis anos, tinha sido professora do ensino básico e exercia uma atividade profissional ligada a crianças com necessidades educativas especiais. Tinha a obrigação de já ter percebido as dificuldades detetadas pela professora numa semana. Pedi à professora que desse tempo para que o Paulo se adaptasse à escola e que no fim do mês falaríamos sobre as dificuldades, se existissem. O Paulo não tinha dificuldades de aprendizagem, precisou apenas de algum tempo para se adaptar à escola. Mas, naquele momento, senti e percebi quanta angústia os pais experimentam quando ouvem dizer que os seus filhos têm problemas.

Intervir atempadamente
Todos os pais sentem uma pontinha de orgulho quando ouvem dizer que os seus filhos são inteligentes, ativos, competentes, criativos, que aprendem com facilidade. Na verdade e numa sociedade marcada pela competição e necessidade de perfeição, estas podem ser características promissoras de um futuro risonho. Acontece, porém, que algumas vezes e sem ainda se saber muito bem porque, há crianças que independentemente do seu nível de inteligência, características emocionais e culturais, têm dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita.
Um conjunto de dificuldades, de leitura e escrita, que se concretizam na confusão de algumas letras, nomeadamente das que têm uma simetria oposta (p e q, b e d ), das que têm sons parecidos (m e n); na troca da ordem das letras que formam sílabas ou palavras (prota em vez de porta); na leitura vagarosa, sem entoação, ritmo e pontuação; na dificuldade em compreender o que se lê, podem ser indicadores de uma alteração específica que é a dislexia. Tratando-se de uma dificuldade específica de aprendizagem, é necessário equacionar uma intervenção atempada para que os efeitos a nível emocional e de insucesso escolar não se instalem.
Muitas destas crianças sofrem terrivelmente com a escola. É na escola que estes problemas se manifestam e precisam fazer um esforço enorme para tentarem superar estas dificuldades, que influenciam todo o rendimento escolar . Este esforço provoca-lhes um enorme cansaço que pode acarretar instabilidade e flutuação na atenção. São, por isso, muitas vezes apelidadas de distraídas e pouco motivadas. Por outro lado, têm como qualquer outra criança necessidade de reconhecimento, e, como não o conseguem por meio dos resultados escolares, recorrem muitas vezes a comportamentos indesejados na sala de aula (recusa do trabalho escolar, falar, espreguiçar-se, etc.).
A nível emocional são crianças que têm tendência para desenvolver uma baixa autoestima e um baixo auto conceito. É a este nível que os pais podem ter um papel determinante.

O papel dos pais
Antes de mais, os pais devem evitar transmitir à criança a angústia e ansiedade que eles próprios sentem perante estas dificuldades e o importante é que transmitam à criança que compreendem a razão das suas dificuldades de aprendizagem, e, sempre que possível explicando-as. Os pais devem evitar comparar a criança com os irmãos ou colegas da sala ou colocá-la perante situações, nas quais sabem, à partida, que a criança não tem sucesso. Mais importante do que elogiar os sucessos é elogiar os enormes esforços que a criança faz para os conseguir.
A nível de aprendizagem, os especialistas recomendam uma atenção individualizada em que se respeite o ritmo de aprendizagem da criança e em que se evite a aprendizagem pelo erro. Há pequenas alterações fáceis de superar, mas também há dificuldades que se podem manter por toda a vida.
A dislexia impõe um diagnóstico diferencial, feito por especialistas nesta área, até porque há problemas de leitura e escrita que nada têm a ver com dislexia.







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