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Ditaduras e Guerrilhas

Por ditadura entenda-se todo o regime político que não cumpre ou respeita os princípios fundamentais da democracia. Representa pois um regime baseado na autoridade em que os poderes legislativo e executivo, com usurpação do judicial, estão na mão de uma pessoa (regimes fascistas ou o Nazi) ou de um grupo de pessoas (ditaduras sul-americanas), ambos exercendo o poder de forma absoluta sobre a totalidade da população, chegando muitas vezes a assumir a forma do caudilhismo. A devassa e uso abusivo dos poderes (legislativo, executivo e judicial) processa-se pela força, o que faz com que os ditadores eliminem liberdades e direitos individuais por decreto ou omissão pura e simples. Em ditadura não se prestam contas ao povo, o poder é absoluto. Uma das formas de combater as ditaduras tem sido, particularmente no mundo tropical (América Latina, África e Ásia), a guerrilha, ou guerra de guerrilhas. Guerrilha é um termo de origem espanhola, usado a partir da invasão de Espanha por Napoleão, no início do século XIX. Consiste a guerrilha numa tática militar de hostilização contínua do inimigo, quase sempre exércitos regulares de um regime que se pretende depor ou com objetivos independentistas. A guerrilha é formada por unidades não regulares, isto é, de tipo paramilitar ou rebelde, e atua através de rápidos e de surpresa, além de operações de destruição de pontos estratégicos (pontes, fábricas, barragens, etc.). De recordar que os exércitos regulares efetuam também este tipo de operações, pelos chamados "comandos", mas desta feita enquadrados em exércitos regulares.
As ditaduras podem ser assumidas através de golpes ou luta armada, a partir de revoluções ou guerras civis (Pinochet, no Chile, em 1973), ou então através do abuso do poder a partir de uma eleição (Mugabe, no Zimbabwe), fraudulenta, ou por designação da parte da hierarquia do partido governante (como antigamente na Europa de Leste), quando não através da passagem hereditária do poder dentro de uma família (ou para irmãos). Existe também a "ditadura do proletariado" (dominada por uma oligarquia comunista), como forma de transição do capitalismo para o comunismo, conforme defendeu Marx, com o poder a ser detido pela classe operária. Os estilos de ditadura são vários também, desde o inconstitucional "Presidente" (nas antigas colónias de Ásia e África) ao militar que assume o poder de forma violenta e mantém o seu título castrense (Coronel Khadafi, na Líbia, por exemplo), passando pelo "Secretário Geral" nas ditaduras comunistas, quando não nos títulos usados pelos Nazis (Führer) ou Fascistas em Itália (Duce), invocando antigas tradições nacionais.

Ditaduras

Grécia Antiga: Drácon (s. VII a. C.); Trinta Tiranos (404-403 a. C.)
Roma Antiga: Sula (81-79 a. C.); Júlio César (46-44 a. C.); Cómodo (180-192 d. C.)
Império Bizantino: Justiniano (527-565)
França: Napoleão (1º Império, 1804-1814)
Espanha: Primo de Rivera (1923-1930); Francisco Franco (1939-1945)
Portugal: A. S. Salazar (principalmente, de 1926-1974)
Alemanha Nazi: Hitler (1933-1945)
Itália: Mussolini (1924-1943/45)
URSS: Lenine, Estaline, outros (1917-1991)
Roménia: Nicolai Ceausescu (1947-1989)
Chile: Augusto Pinochet (1973-1990)
Colômbia: Vários (1953-1957)
Cuba: Fulgencio Batista /Fidel Castro (1940-59 / 1959 - )
Grécia: Junta Militar (1967-1974)
Iraque: Saddam Hussein (antes vários do Partido Baas) – (1968-) 1979 – 2003
Afeganistão: Partido Democrático do A. /Talibans (Muhammad Omar) - 1978-1992/1996-2001
Rep. Dominicana: Rafael Trujillo (1931-1961)
Haiti: François Duvalier, depois Jean-Claude Duvalier; outros (1957-1990/1991-1994)
Nicarágua: Anastasio Somoza (1936-1979)
Argentina: Juan Peron; depois Junta Militar (1946-1955/1966-1973 / 1976-83)
Brasil: Vários (1964-1985)
El Salvador: Vários (1931-1992)
Guatemala: Vários (1931-44 / 1954 – 1986)
Honduras: Vários (1963-71 / 1972-1982)
Panamá: Vários (1969-1989)
Paraguai: Alfredo Stroessner (1949-1989)
Peru: Vários (1948-56 / 1968-1980)
Suriname: Vários (1980-1988)
Uruguai: Vários (1972-1985)
Venezuela: Vários (1952-1958)
Argélia: Vários (1965-1994)
Alto Volta (Burkina Faso): Vários (1966-1991)
Burundi: Vários (1966-1993)
Rep. Centro-Africana: Jean-Bédel Bokassa (1966-1979)
Chade: Vários (1975-1991)
Congo-Brazzaville: Vários (1968-1992)
Congo Kinshasa: Mobutu Sese Seko / L. Kabila (1965-2001 / atualidade)
Guiné Equatorial: Vários (1968-1982)
Etiópia: Vários (1974-1991)
Guiné-Conakri: Sekou Touré (1984-1991)
Libéria: Vários (1980-1990)
Madagáscar: Vários (1972-1975)
Mauritânia: Vários (1978-1992)
Níger: Vários (1974-1989 / 1996-99)
Nigéria: Vários (1966-79 / 1983-99)
Serra Leoa: Vários (1992-96/1997-98)
Somália: Vários/ depois "Senhores da Guerra", muçulmanos (1969-91/atualidade)
Sudão: Vários (1958-1964/1969- )
Líbia: Coronel M. Khaddafi (1970 - )
Uganda: Idi Amin (Dada) - 1971-1979
Zimbabwe: Robert Mugabe (1980 - )
Bangladesh: Vários (1975-79/1982-1990)
Indonésia: Suharto (1967-1998)
Coreia do Norte: Kim Il-sung / Kim Jong-Il (1948-1994/1994- )
Filipinas: Ferdinand Marcos (1972-1986)
Paquistão: Vários (1958-1971/1978-1988/1999- )
Tailândia: Vários (1938-1992)
Turquia: Vários (1960-1962/1971-1973/1980-1982)
China Nacionalista/Taiwan: Chiang Kai-shek (1949-1975); Chiang Ching-Kuo (1975-1988)
R. P. China: Mao Zedong e sucessores (1949-(1976) - )
Irão: Reza Xá Pahalavi (1941-1979); Regime dos Ayatollah's: Ruhollah Khomeini (1979-1989) e Ali Khamenei (1989- )

Os movimentos de guerrilha proliferaram sobretudo nas zonas de regime autocrático e ditatorial, que no século XX se situaram sobretudo em África, na Ásia e na América Central e do Sul, opondo-se a regimes impostos dotados normalmente de extrema dureza e desrespeito pelo povo, ou por determinados setores populacionais, como intelectuais ou jornalistas.
Na América Latina registou-se uma grande concentração de ditaduras durante o século XX. A de Leguía, no Peru, estendeu-se de 1919 a 1930, altura em que se deu um golpe militar por parte dos movimentos reacionários. Na Venezuela foi a vez de, em 1909, se iniciar o regime ditatorial do general Gómez, que apesar de reprimir os dissidentes tentou sempre seguir as leis. A generalidade das ditaduras destes territórios, assim como em vários países das Caraíbas, como a República Dominicana ou o Haiti, foram apoiados pelos Estados Unidos da América. Também na América Central se sucediam ditaduras ininterruptamente, e na do Sul eram alternadas com regimes de características liberais, como aconteceu nas Honduras e na Guatemala (onde o ditador Manuel Estrada Cabrera se prolongou de 1898 a 1920). Estas ditaduras, tanto as civis como as militares, caracterizaram-se, entre outras coisas, pela existência de uma força armada que sustentava a intangibilidade do ditador e do regime.
Ernesto "Che" Guevara de la Serna foi o ícone por excelência do guerrilheiro, tendo depois de 1965 passado à clandestinidade e oposto resistência armada a regimes implantados em países como a Bolívia e o Congo. Este célebre argentino, médico e combatente, aliou-se a Fidel Castro no México, em 1954, na preparação da resistência guerrilheira que desembarcou em Cuba dois anos depois e conseguiu conquistar o poder, à cabeça do qual ficou Castro. Foi ministro da Indústria de 1961 a 1965, altura em que iniciou um outro movimento rebelde de guerrilha (o Exército de Libertação Nacional) na Bolívia, contra a ditadura militar, tendo nesta altura sido preso e morto.
Em 1961 surgiu na Nicarágua a guerrilha sandinista, dos rebeldes do FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional, criada por Tomás Borges, Carlos Fonseca e Sílvio Mayorga em 1961 e que deve o seu nome a Augusto Sandino, nicaraguense que se insurgiu contra a dominação que os EUA sempre tentaram manter na Nicarágua), dando-se em 1979 o êxito da revolução sandinista empreendida contra o ditador Anastasio Somoza. A guerrilha recrudesceu entretanto em El Salvador a partir de 1975, devido à controversa eleição de Carlos Humberto Romero e ao exercício extremamente duro de governos militares nos anos 70 e 80. Este foi deposto por um grupo de oficiais pertencentes a este movimento guerrilheiro, que em 1980 se agrupou na Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional e na Frente Democrática Nacional. É nos anos 60 e 70 que aparecem os primeiros movimentos de guerrilha comunista (Forças Armadas Revolucionárias) e de extrema-direita (Movimento Anticomunista Nacional, Esquadrão da Morte) na Guatemala, sendo que em 1982 se cria um único movimento guerrilheiro, a União Revolucionária Nacional Guatemalteca. As lutas dirigiram-se constantemente contra os regimes ditatoriais militares como o do coronel Peralta Azurdia.
A invasão do Tibete pelos chineses em 1959 provocou o surgimento de uma resistência armada, uma vez que o despotismo aniquilou a cultura, a religião, o modo de vida e a dignidade dos tibetanos, sendo desapossados das suas terras, maltratados, os monges obrigados a casar e a trabalhar, sucedendo-se as execuções, os bombardeamentos e a coação de movimento das pessoas. Tal levou inclusivamente à fuga do Dalai Lama para a Índia. Mas muitas mais guerrilhas têm existido, não procurando remontar, por exemplo, ao lendário Robin Hood (Inglaterra) no século XII, a Garibaldi (Itália), em Oitocentos, um pouco depois de Bolívar e San Martín (América do Sul), entre outros.

Movimentos de Guerrilha (mais famosos):

EUA: Quantrill's Raiders (William Quantrill)
Albânia: Exército Libertação Nacional
Espanha: Euskadi Ta Askatasuna (ETA)
Kosovo/Jugoslávia: Exército de Libertação do Kosovo; Forças Armadas da República do Kosovo
Irlanda (antes da Independência): "Old" IRA
Irlanda do Norte (Reino Unido): Provisional IRA; Ulter Defence Association; Irish National Liberation Army (INLA); Continuity IRA; Real IRA; Red Hand Defenders
Chechénia, Rússia: Separatistas Chechenos
Jugoslávia (II G.M.) - Tchetniks
Alemanha Ocidental: Bader-Meinhof
II G. M.: Resistências em vários países Europa
El Salvador: Frente de Libertación Nacional Farabundo Martí
México: Ejército Popular Revolucionario; Ejército Zapatista de Libertación Nacional
Colômbia: Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia (FARC); Ejército de Libertación Nacional
Peru: Movimiento Revolucionário Tupac Amaru; Sendero Luminoso
Nicarágua: Contras; Frente Sandinista de Libertación Nacional
Colômbia: M-19 (Movimiento 19 abril)
Cuba: Movimiento 26 de abril
África do Sul: African National Congress (ANC)
Quénia: Mau Mau
Angola: UNITA
Eritreia: Frente de Libertação da Eritreia
Sahara Ocidental: Frente Polisario
Moçambique: RENAMO
Zimbabwe: Zimbabwe African People's Union
Uganda: Uganda People's Democratic Army
Afeganistão: Aliança do Norte; Taliban
Afeganistão/Mundo: Al Qaeda
Camboja: Khmers Vermelhos
Afeganistão/Médio Oriente: Mujahedin
Timor Leste: FRETILIN
Laos: Pathet Lao
Filipinas: Moro slamic Liberation Front; New People's Army
Sri Lanka: Tigres de Libertação de Tamil Eelam (Tigres de Tamil)
Tibete: Chushi Gangdruk
RPChina: Partido Comunista Chinês (até 1949)
Vietname: Frente de Libertação Nacional (Vietcong)
Birmânia: Wingate's Riders - Myanmar
Israel: Irgun; Haganah
Palestina: setembro Negro; OLP; Hamas; Mártires de Al-Aqsa; Jihad Islâmica; Hezbollah
Iraque: Resistência Iraquiana (grupos vários)
Omã: Frente Popular de Libertação de Omã

Muitos são os grupos ativos, como muitos foram os que já se extinguiram ou passaram à inatividade.
Como referenciar: in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [consult. 2014-12-19 12:55:25]. Disponível na Internet: