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Dorival Caymmi

Cantor e compositor brasileiro, Dorival Caymmi nasceu a 30 de abril de 1914 em Salvador, na Baía, e faleceu a 16 de setembro de 2008, no Rio de Janeiro. Nascido numa comunidade pré-industrial, algo distante do referencial da praia de Itapoã, o jovem Dorival foi forçado a interromper os estudos para trabalhar. A pobreza da família não permitia o sustento do seu estudo e, então, deu-se aos ofícios díspares de escriturário, vendedor de bebidas, barbeiro, ilustrador e até repórter. O pai, Durval Henrique Caymmi, era funcionário público e músico amador. Ainda na infância, o jovem Dorival integrou o coro da igreja local, aprendendo a tocar guitarra um pouco mais tarde. Não tardou até que, motivado pelo seu espírito de descobridor, ensaiasse as primeiras composições, a nascerem com os primeiros acordes dos seus dedos. Aos 20 anos, cantava na Rádio Clube da Bahia e, dois anos mais tarde, venceu um concurso de músicas de Carnaval com o samba "A Bahia Também Dá". Com 24 anos, toma a iniciativa de partir para o Rio de Janeiro. Na época, eram poucos os baianos do sul que se atreviam a uma migração dessas. Mas o destino parecia estar com ele. Há poucos meses na então capital brasileira, Dorival Caymmi é procurado por João de Barro, o Braquinha, renomado compositor carioca que, conhecendo-lhe as origens, via nele uma boa ajuda para escrever uma canção sobre a Baía. O trecho seria cantado por Carmen Miranda, no musical Banana da Terra. Assim iniciava o percurso de Dorival Caymmi. "O Que é Que a Baiana Tem", celebérrima composição, tornar-se-ia um dos marcos da carreira de ambos: para Carmen Miranda, porque lhe inspiraria a imagem que fez dela uma celebridade mundial; para Caymmi, porque mostrava ao mundo a estirpe das suas composições. Os êxitos seguintes, "Rainha do Mar" e "Promessa de Pescador", levaram-no a atuar na rádio Nacional, onde viria a conhecer a cantora Stella Maris, com quem casaria em 1940. Com ela teria três filhos, todos eles músicos: Nana, Dori e Danilo Caymmi.

Vincadamente ligado à Baía, as suas canções retratavam recorrentemente as praias e as gentes, as baianas e os pescadores, bem como os costumes tradicionais. Foi assim que se tornou um dos principais embaixadores da etnografia baiana, levando-a aos quatro cantos do Brasil, primeiro, e do mundo, depois. No final da década de 40, com um estatuto firme de compositor, Dorival Caymmi intensificou a sua dedicação à pintura e ao desenho. É no início da década de 50 que começa a deixar-se seduzir pelos ritmos cariocas e pela magia do samba. "Marina", de 1947, é a primeira canção dessa fase mais sambista, claramente influenciada pelos anos de vida no Rio de Janeiro, coisa que induziu outra urbanidade na sua música. "Não Tem Solução" e "Sábado em Copacabana", gravadas por Lúcio Alves - tornar-se-ia um dos símbolos do sambismo de Dorival Caymmi - e escritas em parceria com Carlos Guinle, confirmavam essa tendência. Nesta época, outro caminho era iniciado por Caymmi, assumindo-se também como intérprete da sua obra, especialmente a partir de 1955. Com a eclosão da bossa nova, Dorival Caymmi seria considerado um dos predecessores do género, dizendo-se que a alma baiana da sua música teria sido o ponto de partida para as descobertas de João Gilberto. As gravações históricas, deste, das canções "Rosa Morena", "Doralice", "Samba da Minha Terra" e "Saudade da Bahia", ligavam o nome de Caymmi à bossa nova. A amizade com Tom Jobim, admirador do modernismo das composições de Caymmi, ajudaria a firmar esse estatuto. Em 1965, a gravação da valsa-samba "Das Rosas", passada para o inglês por Ray Gilbert, é um êxito estrondoso no mercado americano, na voz de Andy Williams e motivou algumas atuações de Dorival Caymmi nos EUA.

Em 1972, gravou um disco de canções religiosas, contendo a famosa "Oração de Mãe Menininha", dedicada a uma célebre mãe de santo baiana, a Menininha do Gantois. Três anos depois, "Modinha para Gabriela", outra das mais conhecidas composições de Caymmi, receberia a voz de Gal Costa, para a novela Gabriela, da rede Globo, baseada no romance Gabriela, Cravo e Canela, do seu grande amigo Jorge Amado. Durante a década de 80, é alvo de diversas homenagens dentro e fora do Brasil. Em 1984, por altura do seu septuagésimo aniversário, foi condecorado, pelo ministro da Cultura francês, com a Comenda das Artes e Letras de França. No ano seguinte, é inaugurada uma avenida com o seu nome, em Salvador. Com aparições públicas menos numerosas e limitadas essencialmente a atuações com os seus filhos, destacou-se a sua presença no Festival de Montreux, na Suíça, em 1991. No final de 1993 é editado Songbook Dorival Caymmi, com quatro discos compactos a percorrerem toda a sua obra, com as vozes mais célebres da MPB.


Discografia
1957, Caymmi e o Mar
1957, Eu Vou pra Maracangalha
1957, Ary Caymmi Dorival Barroso
1959, Caymmi e Seu Violão
1961, Eu Não Tenho Onde Morar
1964, Caymmi Visita Tom e Leva Seus Filhos Nana, Dori e Danilo
1965, Caymmi (Kai-ee-me) and The Girls From Bahia
1965, Sambas
1967, Vinícius e Caymmi no Zum-Zum
1969, Dorival Caymmi
1969, Encontro com Dorival Caymmi
1972, Caymmi
1973, Caymmi Também É de Rancho
1984, Setenta Anos Caymmi
1984, Caymmi in Bahia
1985, Caymmi - Som, Imagem e Magia
1986, Caymmi's Grandes Amigos" - com Nana, Dori e Danilo Caymmi
1987, Dori, Nana, Danilo e Dorival Caymmi
1991, Família Caymmi em Montreux
1994, Aloysio de Oliveira Apresenta Dorival Caymmi - Histórias de Pescadores

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