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ênclise

A ênclise é a posição sintática ocupada por um clítico à direita de um morfema ou palavra. Em português, a ênclise corresponde à posição pós-verbal dos pronomes clíticos, designadamente dos pronomes pessoais átonos (função de complemento direto e indireto) e dos pronomes reflexos. A posição enclítica destes pronomes é a colocação mais natural em relação ao verbo e ocorre sempre que não existam palavras na frase que provoquem antecipação do pronome (próclise) e sempre que o verbo não esteja no futuro do indicativo ou no condicional (situação que obriga a mesóclise do pronome). Em português os pronomes em posição enclítica juntam-se ao verbo através de um hífen (em castelhano, por exemplo, "colam-se" ao verbo sem hífen: <melos>), subordinando-se assim à estrutura silábica do verbo. São exemplos de ênclise os seguintes casos:

i) O Pedro ofereceu-lho ontem.
ii) Lembro-me sempre daquele doce de leite.
iii) Amanhã vou visitá-la.
iv) Veste-lo muitas vezes?
v) Fá-lo imediatamente!
vi) Eles fazem-no tão bem!

A ênclise desencadeia fenómenos de alteração fonética por assimilação, sempre que se dão certos encontros fónicos. Assim, as formas verbais terminadas em -r, -s e -z, quando se encontram seguidas dos pronomes pessoais com função de complemento direto <o>, <a>, <os>, <as>, caem acrescentando-se l- aos referidos pronomes (<-lo>, <-la>, <-los>, <-las>; cfr. iii-v). Além disso, as formas dos verbos terminadas em nasal <-m> ou ditongo <ão> ou <õe> provocam a adição da consoante nasal <n> aos pronomes pessoais complemento direto (<-no>, <-na>, <-nos>, <-nas> cfr. vi).

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