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endotélio

O termo endotélio refere-se a um tipo de membrana epitelial que reveste, internamente, as câmaras do coração (aurículas e ventrículos), os vasos sanguíneos (artérias, veias e capilares) e os vasos linfáticos.
Este tipo de tecido engloba-se nos tecidos epiteliais, que se caracterizam por serem avasculares, obtendo os nutrientes de que necessitam, por difusão, a partir dos vasos sanguíneos presentes na camada de tecido conjuntivo que, normalmente, lhes está subjacente. As células epiteliais apresentam-se separadas do tecido conjuntivo pela membrana basal, uma estrutura acelular, que funciona como superfície de separação.
Em termos de estrutura, os tecidos de tipo endotelial caracterizam-se por serem pavimentosos simples, isto é, formados por uma monocamada de células intimamente ajustadas. Todas as células do endotélio estão em contacto com a membrana basal e com o lúmen das cavidade que revestem, em simultâneo.
Para além das funções de revestimento e delimitação, o endotélio apresenta outras funções, importantes do ponto de vista fisiológico. Funciona como uma membrana semipermeável, regulando o tráfego de moléculas, mas apresenta também funções de síntese e de metabolismo de diversas substâncias. A sua ação traduz-se, principalmente, no controlo do fluxo sanguíneo, na regulação da resistência vascular e na modulação das respostas imunitárias e inflamatória.
A nível arterial, as células endoteliais formam a camada mais interna, a designada túnica íntima. Estas células intervêm a diferentes níveis, nomeadamente no metabolismo de substâncias vasoativas, interferindo no estado de relaxamento ou de contração dos vasos sanguíneos, o que acarreta diferentes variações na hipertensão arterial, logo, na velocidade de circulação do sangue. Em resposta a diferentes estímulos físico-químicos, as células do endotélio libertam diferentes moléculas, que vão atuar incrementando ou diminuindo o diâmetro dos vasos, pelo que um desarranjo ao nível desta estrutura provoca problemas na manutenção da tensão arterial ajustada ao estado fisiológico, em cada momento.
Como exemplos da atividade bioquímica do endotélio, podem-se referir a intervenção no metabolismo de substâncias vasoativas como a angiotensina I e angiotensina II, a inativação da bradicinina, serotonina e noradrenalina, a formação de prostaglandinas, produção de antigénios e a intervenção, a diversos níveis, no processo de coagulação do sangue, por exemplo, através da produção de trombomodulina. Como exemplo de substâncias vasodilatadoras produzidas pelo epitélio, podem-se mencionar a prostaciclina e o óxido nítrico. As células endoteliais produzem ainda diversas moléculas que atuam estimulando a formação de novos vasos sanguíneos e a reparação dos danificados.
Vários estudos científicos apontam para a relevância do papel do endotélio na etiologia de várias doenças, nomeadamente, do foro cardiovascular, metabólico e imunológico, salientando-se a importância da manutenção da integridade desta estrutura, essencial para a manutenção da normal função vascular.
Em termos de origem embrionária, os endotélios formam-se a partir do folheto embrionário da mesoderme.

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