Artigos de apoio

Escrita egípcia antiga

A escrita egípcia (medu netjer ou sech) é uma das primeiras da Antiguidade. A sua invenção data cerca de 3000 a. C., do período anterior ao estabelecimento das dinastias faraónicas, e é resultado da fusão de vários elementos. Estendeu-se até ao início da era Cristã, altura em que foi substituída pelo alfabeto grego.
É o reflexo de uma grande diversidade de raças e etnias. Está ainda dentro de um leque muito variado de línguas semíticas mas também das berberes do Norte e de África. Hoje é considerada como uma língua morta e apenas se conhece pelos textos antigos que chegaram até nós. Foram os Gregos antigos que denominaram a escrita ideográfica egípcia de hieroglyphikà grámmata (literalmente "escrita divina"). Os Egípcios antigos atribuíam a invenção da escrita ao seu deus Tot, também por eles considerado inventor da linguagem e da magia, daí o seu título popular "senhor das palavras divinas".
A escrita ideográfica não representa visualmente a imagem real das coisas, como a pictografia, mas sugere o seu nome. A totalidade dos sinais que constituem a escrita hieroglífica, que ascendem a vários milhares, refere-se ao povo e ao seu habitat, mostrando assim várias características autóctones. O seu conhecimento data de 1799, altura em que foi descoberta a Pedra da Roseta, uma pedra de basalto negro gravada. O texto que nela ocorre foi escrito em três versões distintas: grego antigo, egípcio com caracteres hieroglíficos e egípcio na sua forma de escrita cursiva, ou demótica (popular). O decifrador do enigma da Pedra de Roseta, em artigo publicado em 1822, foi o jovem francês estudioso de línguas antigas Jean-François Champollion (1790-1832): com esta sua descoberta, estava encontrada a chave para se decifrar definitivamente a escrita hieroglífica dos antigos egípcios.
Desde as primeiras descobertas que a escrita egípcia deixou de ser uma esfinge enigmática e revelou aos estudiosos todos os seus pormenores, graças à descoberta de Champollion nos princípios do século XIX, a centúria de arranque da Egiptologia moderna.
A escrita egípcia pode ser apresentada em três formas. Em primeiro lugar, a escrita hieroglífica, uma escrita sagrada, que existe, principalmente, nos túmulos e nos templos. Era formada por desenhos e, por isso mesmo, a sua interpretação e execução era demorada e complicada. Os escribas rapidamente inventaram um novo género de escrita que permitia uma comunicação mais rápida e eficaz, a escrita hierática, que é uma escrita sacerdotal, em que o alfabeto tem os mesmos tipos que os hieróglifos mas com formas diferentes e mais simples. A terceira forma, a escrita demótica, surgiu na XXIV Dinastia (Terceiro Período Intermédio, 1075-650 a.C.), e é um género de escrita mais rápido, de uso popular. No Período Ptolomaico (332-30 a.C.) esta era já a escrita que se utilizava para os todos os textos, científicos, religiosos ou literários.
Com o passar do tempo e o declínio desta civilização a escrita egípcia copta (cristã), começou a adquirir maior importância e acabou por substituir as anteriores. Esta escrita é mais simples, é formada por vinte e quatro letras gregas combinadas com seis caracteres demóticos. Lentamente foi cedendo lugar ao árabe.
A escrita egípcia antiga, no que concerne à grafia dos sons, representa unicamente os sons consonânticos, os quais dão a sonoridade da palavra. O seu desenvolvimento e surgimento revelou-se extremamente importante na medida em que com ela era possível divulgar ideias, comunicar e controlar os impostos.

1

2

3

4

5