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Espanha

Geografia
País do Sudoeste da Europa. Ocupa a maior parte da Península Ibérica e inclui também os arquipélagos das Baleares (mar Mediterrâneo) e das Canárias (oceano Atlântico) e os enclaves de Ceuta e Melilla (Norte de África, Marrocos). Abrange uma área total de 504 782 km2. A Espanha faz fronteira com a França e Andorra, a nordeste, e Portugal, a oeste; o país é banhado pelo oceano Atlântico, a norte, a noroeste e a sudoeste, e pelo mar Mediterrâneo, a leste e a sul. É formado pelas comunidades autónomas da Andaluzia, Aragão, Principado das Astúrias, Cantábria, Castela e Leão, Castilha-La Mancha (ou Castela-La Mancha), Catalunha, Extremadura, Galiza, Madrid, Múrcia, Navarra, País Basco, Rioja, Valencia, Ilhas Baleares e Ilhas Canárias. As cidades mais importantes são Madrid, a capital, com 3 290 900 habitantes (2004), e com uma área urbana de 5 179 900 habitantes, Barcelona (1 541 100 hab.), Valencia (742 300 hab.), Sevilha (676 200 hab.) e Saragoça (646 100 hab.). A maior parte do interior de Espanha é um planalto (a Meseta Ibérica) rodeado por cadeias montanhosas. As terras baixas de maior importância correspondem às bacias sedimentares do rio Ebro, Guadalquivir e Guadiana.

Clima
O clima é mediterrânico nas regiões costeiras do Sul e do Leste e é temperado com características marítimas no Norte; no interior, o clima é temperado continental com grande amplitude térmica anual e precipitação relativamente escassa.

Economia
A Espanha tem uma economia desenvolvida, baseada nos serviços, na indústria e na agricultura. A agricultura representa 5% do PIB e é dominada pela produção de cevada, beterraba, trigo, batata, tomate, laranja, milho e vinho. A exploração mineira abrange a extração de ferro, mercúrio, pirite, potássio e carvão. A indústria produz equipamento industrial, equipamento para os transportes, produtos alimentares, material elétrico, papel, produtos químicos, têxteis, calçado e brinquedos. No setor terciário, merecem menção o turismo, os serviços financeiros e o comércio. As exportações abrangem o equipamento para os transportes, a maquinaria e os produtos agrícolas. As importações são constituídas por maquinaria, combustíveis, equipamento para os transportes e produtos agrícolas. Os maiores parceiros comerciais são a França, a Alemanha, a Itália e o Reino Unido.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de 6,8.

População
A população é de 40 397 842 habitantes (2006), o que corresponde a uma densidade populacional de 79,92 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são respetivamente de 10,06%o e 9,72%. A esperança média de vida é de 79,65 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,918 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,912 (2001). No conjunto da população os espanhois castelhanos representam 74% da população, os catalães 17%, os galegos, 7%, e os bascos, 2%. A religião com maior expressão é a católica. As línguas oficiais são o castelhano, o catalão, o galego e o basco, nas respetivas regiões.

Arte e Cultura
Na arquitetura, o período românico pode ser encontrado em várias igrejas ou no Pórtico da Glória, na Catedral de Santiago de Compostela. Do gótico, os exemplares mais significativos são as catedrais de Burgos, de Leão e de Toledo, todas elas do século XIII. Nos séculos XV e XVI, surgiu o chamado estilo isabelino. O Renascimento na Espanha ficou marcado, especialmente, nos exemplares arquitetónicos de Salamanca. Posteriormente, a arquitetura evoluiu para o estilo herreriano que se encontra expresso no Mosteiro do Escorial, em Madrid. Os maiores arquitetos barrocos foram Churriguera e Pedro de Ribera. Na mesma época, destacaram-se os escultores Manuel Pereira, J. Martínez Montañes e Alonso Cano. Na pintura, sobressaíram Diego Velásquez, Ribera e Murillo. No período neoclássico, foi Goya quem mais se destacou, sendo o iniciador da pintura moderna. No século XX, surgiram os nomes de A. Gaudi na arquitetura; de Pablo Picasso, de J. Gris, de Joan Miró e de Salvador Dalí, na pintura.
No campo da filosofia e da teologia, a Espanha encontra-se representada por Séneca, defensor do estoicismo; por Averróis, comentador de Aristóteles; por Maimónides, que procurou conciliar a fé judaica com o racionalismo grego; por Francisco de Vitória e por Francisco Suárez, os fundadores da escolástica; por frei Luís León, por Sta. Teresa d'Ávila e por S. João da Cruz, os místicos do século XVI; e por J. Ortega y Gasset, que fundou a escola de Madrid.
A nível literário, a primeira grande obra é o Cantar de Mio Cid, composta em cerca de 1140. O rei Afonso X desenvolveu a lírica, em galaico-português, e a prosa, em castelhano. A obra La Celestina marcou a entrada do Renascimento literário em Espanha. Os séculos XVI e XVII representaram uma das épocas de ouro nas letras espanholas. Destacaram-se os poetas místicos frei Luís de León e S. João da Cruz; a prosa clássica de Sta. Teresa de Ávila, que escreveu a novela picaresca El Lazarillo de Tormes, e Miguel de Cervantes, que escreveu a novela picaresca D. Quixote (obra); os poetas cultistas Luís de Gôngora e Francisco de Quevedo; os dramaturgos Lope de Vega, Tirso de Molina e Calderón de la Barca, autor de La Vida es Sueño. No século XX, surgiram os nomes de Miguel de Unamuno, de Azorín, de M. Machado, de Federico García Lorca e, dos que receberam o Prémio Nobel, J. Echegaray y Eizaguirre, J. Benevente, Ramón Jiménez, V. Aleixandre e Camilo José Cela.
Na música, os nomes mais conhecidos são: o polifonista T. L. Victoria e os compositores Morales, Guerrero, J. Albéniz, E. Granados, M. de Falla, Joaquín Rodrigo e os contemporâneos Maurice Ohana, Luís Pablo, Cristóbal Halffter, Joan Guinjoan, Tomás Marco, José Luis Turina e Alfredo Aracil, entre outros. A guitarra de flamenco continua a acompanhar a dança tradicional dos ciganos andaluzes, em que as mulheres dançam com saias apertadas e com folhos e cobrem a cabeça com mantilhas de renda sustentadas por altas travessas no cabelo. Um dos músicos andaluzes que, atualmente, mais tem divulgado o flamenco em todo o mundo é Paco de Lucia, o célebre "tocador solitário de guitarra flamenca".

História
No início do século VIII, os muçulmanos do Norte de África conquistaram grande parte da Península Ibérica. No final do século XII, os reis católicos de Castela e de Aragão reconquistaram quase todo o território dominado pelos muçulmanos. Em 1469, os dois reinos ficaram unidos pelo casamento de Fernando II de Aragão com Isabel I de Castela, conhecidos por Reis Católicos. Pouco tempo depois, reconquistaram Granada, o único reino que ainda se encontrava na posse muçulmana. Em 1492, no mesmo ano em que pôs termo à presença árabe na Península Ibérica, a Espanha iniciou a sua expansão ultramarina, quando Cristóvão Colombo descobriu a América. No final do século, a Espanha afirmou-se como potência colonial. O crescimento económico resultante dos metais preciosos, vindos do Novo Mundo, e a estabilidade política conseguida pelos Reis Católicos, deram à monarquia espanhola uma posição hegemónica na Europa durante mais de um século.
Em 1516, Carlos I, o monarca Habsburgo da Holanda, sucedeu a Fernando II e, em 1519, passou a ser o imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico. Em 1556, abdicou a favor do filho Filipe II, o mais espanhol de todos os monarcas Habsburgo, que era extremamente religioso e que, por isso, defendeu a fé Católica Romana contra o Protestantismo. Essa política religiosa levou o país a envolver-se em várias guerras dispendiosas. Algum tempo mais tarde, Filipe II teve como sucessores três reis Habsburgos que levaram a Espanha à ruína económica.
O domínio dos Habsburgos no país terminou em 1700, quando Filipe V se tornou no primeiro Bourbon rei da Espanha. No entanto, a ascensão de Filipe ao trono originou a Guerra da Sucessão Espanhola, entre 1701 e 1714, que resultou na perda da Bélgica, do Luxemburgo, de Milão, da Sardenha e de Nápoles. Em 1808, Napoleão Bonaparte nomeou o seu irmão, Joseph, rei de Espanha. Mas as forças britânicas e espanholas derrotaram as tropas de Napoleão e, em 1814, restauraram a monarquia Bourbon. O sucesso da guerra encorajou a maior parte das colónias americanas à revolução. Em 1898, depois da guerra com os Estados Unidos da América, a Espanha perdeu as restantes possessões de além-mar.
Em 1931, os republicanos venceram as eleições municipais em todas as capitais de província e, consequentemente, a Espanha tornou-se uma república. A monarquia foi abolida e o rei Afonso XIII foi obrigado a exilar-se no Brasil. A oposição entre republicanos e nacionalistas originou a Guerra Civil em 1936. O líder nacionalista, o general Francisco Franco, recebeu armamento de Adolf Hitler, da Alemanha, e de Benito Mussolini, da Itália. Os republicanos, com o apoio interno e estrangeiro dos socialistas, dos comunistas e de vários simpatizantes liberais, receberam armas apenas da União Soviética. Os nacionalistas conseguiram a vitória em 1939 e Franco tornou-se chefe de Estado, mantendo-se no poder até à sua morte, em 1975.
Franco instaurou um regime extremamente conservador e repressivo que oprimia violentamente a oposição. Foi criada uma sociedade moralista e tradicional, em que o divórcio era ilegal e o crime era severamente punido. Em 1969, Franco designou para seu sucessor Juan Carlos de Borbón y Borbón que, em 1974, com a doença de Franco, assumiu o cargo de chefe de Estado. Em 1975, Juan Carlos tornou-se rei e restaurou a monarquia e a democracia.
O novo Parlamento, eleito em 1977, desenvolveu um programa de reformas democráticas a nível político e económico, incluindo a separação da Igreja e do Estado e a garantia dos direitos humanos e civis. As eleições de 1982 marcaram o final definitivo da herança de Franco, com a eleição de um Governo socialista, liderado por Felipe González Márquez. A partir dessa altura, a Espanha, que até então tinha estado relativamente isolada, aproximou-se da Europa Ocidental, juntando-se à União Europeia (UE), em 1986. No mesmo ano, através de um referendo, o país mostrou que queria manter-se como membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
A nova sociedade espanhola também tem os seus problemas, em particular o elevado desemprego e uma taxa crescente de criminalidade. No entanto, a Espanha é, provavelmente, uma das nações da Europa que mais consciência tem da sua identidade.
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