esquizofrenia
O conceito de esquizofrenia foi introduzido pelo psiquiatra suíço Eugen Bleuler, em 1911, para explicar um grupo de perturbações mentais que altera a forma de pensar dos doentes e os mergulha numa realidade diferente da de todos nós. Esta perturbação é caracterizada pelo isolamento dos doentes, pelo distúrbio na vida afetiva e emocional e, dependendo do tipo de esquizofrenia, pela presença de alucinações, delírios, comportamento pessimista e deterioração progressiva das capacidades mentais.
Inclui-se no grupo das psicoses crónicas que são um distúrbio mental de longa duração caracterizado por ideias delirantes permanentes e em que os doentes não têm qualquer capacidade para fazer face às exigências da realidade.
Na esquizofrenia verifica-se uma profunda e progressiva transformação da personalidade. A pessoa deixa de viver na realidade comum a todos nós para passar a viver numa realidade só dela (é um caos imaginário). Deste modo, é difícil compreender um doente esquizofrénico.
Este tipo de pacientes apresenta uma inteligência sem "pensamento lógico" (o sujeito demonstra um pensamento impenetrável, governado por teorias absurdas e abstratas). Ao nível dos afetos, estes são violentos e ambivalentes, isto é, orientados por dois polos opostos do tipo paixão-ódio (tanto amam a mãe como a odeiam). Ao nível do comportamento o que mais parece caracterizá-los é a falta de iniciativa própria, a inibição, a impulsividade, o isolamento, a constante contradição em que caem e um certo negativismo na forma de estarem na vida.
Esta patologia pode apresentar-se sob diferentes formas entre as quais se destaca a esquizofrenia simples (em que os sintomas predominantes são a perda de contacto com os outros mostrando indiferença e diminuição acentuada da motivação), a hebefrénica (caracterizada por um comportamento ridículo e inadequado, com presença de ilusões e alucinações), a catatónica (que apresenta sobretudo problemas graves dos processos motores) e a paranoica (em que o sintoma principal é o delírio de perseguição ou de grandeza).
É uma doença que tem como população alvo os jovens e adultos, especialmente dos 16 aos 35 anos. Para além disto, é mais comum nas classes pobres, tanto ao nível económico como ao nível psicológico, sendo o risco de doença maior nas famílias de esquizofrénicos.
O seu prognóstico é de extrema dificuldade; no entanto costuma-se atribuir um dos três seguintes tipos: a evolução da doença para uma demência (o sujeito entra na verdadeira incapacidade de raciocínio) que pode ser evitado quando diagnosticado e tratado a tempo; pode ter um prognóstico de cicatrização (os sintomas desaparecem em grande parte, encontrando o sujeito algumas capacidades sociais, mesmo que não sejam de grande qualidade); e, por último, pode ter um prognóstico classificado como repetição (podem aparecer crises com períodos de adaptação discreta à vida social).
O tratamento deste tipo de psicose assenta sobretudo na utilização de psicofármacos, ou seja, medicamentos que atuam ao nível cerebral. Na grande maioria dos casos, só depois deste tipo de doente estar devidamente medicado, é que se torna possível o recurso à psicoterapia.
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