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estruturalismo (sociologia)

Inicialmente desenvolvido na linguística, o estruturalismo corresponde a uma atitude vulgarizada nas ciências sociais a partir dos anos 60. Consiste em explicar o real não apenas a partir dos seus elementos mas sobretudo a partir da sua estrutura, na qual se vê uma realidade independente. Nas ciências sociais, essa estrutura será o sistema de relações que está na base da unidade dos grupos humanos. Como sistema, qualquer alteração que se produza num dos seus elementos implicará alterações em todos os outros. Cada transformação na estrutura corresponderia a um modelo, o que pressupõe a possibilidade de prever o modo de reação do modelo quando se altera um dos seus elementos.
O antropólogo Claude Lévi-Strauss é usualmente apontado como o responsável pela adoção para as ciências sociais do conceito de estruturalismo, inicialmente desenvolvido pelo linguista Ferdinand Saussure. Na sociologia, o termo refere-se genericamente à perpectiva sociológica que se baseia no conceito de estrutura social como algo não observável em si mas gerando fenómenos sociais observáveis. O método estrutural propõe-se identificar a estrutura comum a diferentes formas sociais e culturais. Uma estrutura não determina uma forma social específica; pelo contrário, pode gerar um vasto leque de expressões concretas.
O estruturalismo, que define a estrutura como uma construção do pensamento, recrimina o funcionalismo pelo "realismo" que reconhece à função e pela ideia de que toda a sociedade é explicável a partir das funções. Segundo alguns autores, outra diferença entre estruturalismo e funcionalismo situa-se no facto de o segundo procurar as diferenças entre sociedades enquanto que o primeiro procura as semelhanças ou analogias.
O estruturalismo acabou por se combinar com o funcionalismo, nomeadamente ao salientar a importância da interdependência entre os elementos da estrutura.
São nomes representativos do estruturalismo o filósofo Louis Althusser, o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o filósofo Michel Foucault, o semiólogo e crítico literário Roland Barthes ou o psicanalista Jacques Lacan.
As críticas às posições estruturalistas acusam-nas de serem a-históricas, inverificáveis e eclipsadoras da criatividade humana. Contudo, há posições devedoras do estruturalismo que combinam a dinâmica da ação social com a ordem da estrutura, como é o caso das de Anthony Giddens e de Pierre Bourdieu, que identifica uma relação dialética entre as pressões estruturais dos meios sociais e as interações dos agentes.
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