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etnia

O termo etnia diz respeito a um povo ou nação e tem a sua origem no grego ethnikos, adjetivo de ethos. Mais concretamente, o conceito de etnia diz respeito a um grupo de pessoas com origens, interesses e experiências comuns e entre as quais existem níveis de solidariedade e identificação. Muitas vezes estes grupos partilham a mesma língua e a mesma cultura, que os distingue de outros grupos étnicos com que convivem, mas outras vezes a diferença não está na língua, que é a mesma, mas na cultura ou na "raça".
O termo etnia tem especial relevância nas sociedades multiculturais da atualidade, em que diferentes etnias vivem lado a lado, normalmente uma ou mais etnias minoritárias e uma etnia maioritária. As relações de poder diferem, consoante o tipo de sociedade, e nem sempre o grupo etnicamente dominante é aquele que detém o poder, como se verificou ao longo da História com a colonização. Do ponto de vista ocidental, o termo etnia é normalmente conotado com o "outro", mesmo quando o visitamos na sua cultura original, ou com os grupos minoritários quando estes coexistem nas sociedades ocidentais, deslocados por motivos económicos, como a emigração, ou por circunstâncias históricas, como foi o caso do tráfico de escravos e da escravatura.
Seja qual for a situação que provoca a existência de um grupo étnico por oposição a um outro grupo dominante, o facto é que estes grupos têm tendência a preservar os costumes, as crenças e as instituições comuns que fazem parte da sua cultura, podendo ser considerados mesmo como um fenómeno cultural, apesar de antecedentes desfavoráveis. O conceito de "grupo étnico" substitui muitas vezes erradamente o termo "raça". Enquanto que o que entendemos por "raça" diz respeito a uma série de características físicas atribuídas a um determinado grupo, o "grupo étnico", enquanto tal, existe como uma resposta culturalmente criativa relativamente a um povo que se sente marginalizado pela sociedade onde está localizado. Muitas vezes estes dois conceitos - de "raça" e de "grupo étnico" - concentram-se no mesmo grupo de pessoas quando, por exemplo, um grupo de "raça" é marginalizado pela sociedade constituindo um grupo étnico que se aglutina para sobreviver. O primeiro conceito, o de "raça", nasce da segregação e da exclusão, enquanto que o segundo, o de "grupo étnico", nasce da identificação, assimilação e solidariedade.
O termo etnia assume-se, assim, como a característica que une um determinado grupo e que o torna distinto, ao mesmo tempo, dos demais grupos e da sociedade em que está inserido. Esta característica torna-se numa consciência que é transmitida de geração em geração, embora muitas das gerações posteriores tenham dificuldade em seguir certos aspetos da cultura da sua etnia, como certo tipo de roupas ou rituais, e preferem assimilar certos hábitos exteriores aos da sua etnia. É o caso das gerações de jovens indianos no Reino Unido, por exemplo, que não seguem o costume dos casamentos arranjados, ou o uso de véu por parte das mulheres muçulmanas. No entanto, mais difícil é perder o sentimento de pertença a uma etnia, profundamente arreigado na consciência humana.
A consciência de diferenciação étnica pode servir interesses ou ideais políticos, como foi o caso, no México, do movimento chicano dos anos 20 em que os trabalhadores rurais foram motivados a unir-se em termos laborais pela sua etnia, diferente da dos proprietários rurais brancos. Em outras circunstâncias, a diferenciação étnica é motivo de perseguição como foi o caso dos judeus russos condenados nos anos 20 por manter a sua etnia ao ensinarem a sua língua, história e cultura. Existem casos curiosos de etnias, como os seguidores do movimento rastafari, que baseiam as crenças que os unem em ideias equivocadas da existência de uma África ancestral, unida e gloriosa.

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