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evolucionismo

O evolucionismo (também chamado transformismo ou teoria da evolução) é uma doutrina que admite a evolução orgânica das espécies. Presente desde a Antiguidade, inquietando espíritos mais avisados (como Anaximandro, Tales e até Aristóteles), a tese da evolução dos seres vivos só se conseguiu impor com o advento da paleontologia e dos trabalhos de Lamarck e de Darwin no século XIX.
Até ao século XVIII, o criacionismo reinou sem discussão, ainda que Lineu, na sua classificação natural das espécies, tenha deixado algo em aberto quanto a uma explicação. Lamarck é, de facto, o primeiro evolucionista, considerando que o meio determina e modela os organismos (Filosofia Zoológica, 1809). A partir desta ideia, o naturalista inglês Charles Darwin, depois de uma viagem à costa ocidental da América do Sul e de um conjunto de observações efetuadas, estabelece como fator da evolução a seleção natural das espécies, pela qual todos os seres vivos são o resultado de uma longa série de transformações que conduziram primeiro ao aparecimento e depois à diversificação das espécies através da filiação e das formas de vida elementares. Esta teoria foi expressa no seu livro Da Origem das Espécies por Via da Seleção Natural (1859) e logo desenvolvida por outros estudiosos europeus, como Haeckel.
Assim, a teoria da evolução das espécies baseia-se nestes conceitos: origem da vida; provas de evolução a partir de campos biológicos diversos (semelhanças quanto à forma, embriológicas, bioquímicas ou achados paleontológicos); fatores de evolução: herança (que conserva os caracteres), variabilidade (mutação, recombinação de genes), seleção natural (o meio atua sobre as variações, com os mais fortes a imporem-se aos mais fracos) e isolamento.
O evolucionismo rapidamente se expande para além das ciências da vida a outras áreas do conhecimento, universalizando-se e adaptando-se aos seus princípios científicos. Na filosofia, é entendido como lei geral dos seres comum a toda a espécie de existência, em geral ou em particular; na antropologia e na sociologia, está por detrás da conceção de que o desenvolvimento das sociedades e das instituições seguiu uma certa orientação através de etapas vencidas por meio de leis demonstráveis (Comte); atinge também a política e a história. Abre, pois, novas perspetivas e considerações em variadíssimos ramos do saber, mantendo as suas questões tradicionais grande e aceso debate a nível filosófico.
A doutrina científico-filosófica do evolucionismo é hoje aceite pela quase totalidade do mundo científico, principalmente na área da biologia (ainda que haja discrepâncias quanto às causas da evolução) e nos seguintes pontos: rejeição da imobilidade ou de uma conceção estática do mundo; filiação comum a partir de um antepassado comum; evolução gradual; hipótese de seleção natural como motor principal da evolução. Com a descoberta do gene como unidade da hereditariedade, o evolucionismo ganhou ainda mais consistência científica.
No mundo de hoje, o evolucionismo surge como uma doutrina extraordinariamente atual e dotada de argumentos capazes de criar ruturas com o tradicionalismo e as convenções clássicas, conduzindo o Homem a uma reabordagem constante da sua própria evolução biológica. O universo e a vida, em todas as suas manifestações, e a natureza nos seus múltiplos aspetos são cada vez mais entendidos como resultado do desenvolvimento, por oposição às ideias religiosas da criação inicial. O evolucionismo pressupõe serem mais plausíveis a mudança, o desenvolvimento e a adaptação como mecanismos de explicação do conjunto dos organismos vivos. Novas teorias têm surgido, porém sem porem em causa os fundamentos do evolucionismo.
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