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Exploração e Colonização de Angola

Descoberta por Diogo Cão entre 1482 e 1486, Angola constituiu o território ultramarino português mais extenso depois do Brasil. Naturalmente que os propósitos da descoberta, povoamento e exploração eram essencialmente a evangelização e a possibilidade de poder tirar partido comercial do território. Para tal muito contribuíram as boas relações que Diogo Cão estabeleceu com o rei do Congo, que seria mais tarde batizado senhor da região do Zaire, que se mostrou muito interessado em apoiar os portugueses nas suas atividades. O Congo tornou-se num protetorado português mas cedo o comércio se revelou pouco lucrativo, desinteressando os portugueses. O tráfico de escravos era o mais rentável. No entanto, a população nativa ia diminuindo, o que provocou tentativas de exploração mais a sul, no território onde governava Ngola, que depois se veio a designar Angola. Aqui como a densidade populacional era maior, os resultados práticos tornaram-se mais visíveis. Passou a constituir um ponto geográfico estratégico nas rotas comerciais, quer orientais, quer do Novo Mundo.
Paulo Dias de Novais foi o primeiro governador de Angola (1575) e por altura da sua governação implantou-se o regime de capitanias que trazia em si o gérmen da vontade de delimitação do território, do seu povoamento e da consequente exploração, quer de prata, que segundo se cria, existia em abundância, quer do comércio de escravos, que se revelaria um verdadeiro filão de riqueza. Os comerciantes de São Tomé eram os principais interessados tanto na exploração do reino do Congo como de Angola. Assim, a maior atenção recaiu evidentemente no comércio de escravos. Aliciados pelo comércio atrativo, os colonos foram-se estabelecendo no território, primeiro de uma forma incipiente, que depois se foi tornando racional, e começaram a dotá-lo de infraestruturas de apoio, como foi o caso da construção de fortalezas.
O negócio de escravos tornou-se de tal forma lucrativo - assento e resgate - que despertou a cobiça de outros países, nomeadamente dos holandeses que estiveram na iminência de conquistar o território. Chegámos a perder parte de Angola em 1641 para aquele país, mas a sua recuperação verificou-se em 1648. O tráfico de negros continuaria assim a sustentar durante longos anos a economia brasileira e colocará Angola numa posição de fornecedora, considerada a base da rede esclavagista do império português. Apesar das vicissitudes, nunca se colocou a questão de abandonar o território a outras nações, mas antes explorar o seu interior. Nos finais do século XVII promoveram-se campanhas militares tanto no litoral como no interior, acentuando-se, desta forma, o domínio português. No século XVIII procurou-se explorar sistematicamente o interior do território com objetivos comerciais e militares. Angola era economicamente próspera quando Pombal tomou o poder. Decretou a abolição do monopólio da Coroa e o comércio livre para todos os portugueses. Fomentou-se a agricultura, o comércio e a indústria. As ideias de Pombal não foram levadas a bom termo devido à crise económica que fez baixar as exportações em 1766. O comércio da colónia entrou em declínio embora se mantivesse o de escravos. Só em 1790 é que se recuperaria o atraso.
A ideia da abolição da escravatura ia ganhando corpo e a sua concretização com a política liberal provocou uma profunda alteração no comércio angolano. Porém, a total abolição do comércio de escravos foi um processo demorado e penoso devido a atos continuados e encobertos de tráfico. Este só viria a desaparecer em 1842, se bem que a escravatura fosse uma realidade até 1869.
Anulado o eixo da economia angolana, procurou-se colmatar a falha com a exploração dos recursos do solo que empregava mão de obra indígena cujo trabalho só se tornaria livre no início do século XX.
Passos muito importantes foram dados por Paiva Couceiro e Nórton de Matos, já no nosso século, no intuito de transformar Angola num território desenvolvido. Foi depois da Primeira Guerra Mundial que o território, elevado a colónia e depois a província ultramarina, se começou a desenvolver, atingindo níveis de progresso bastante superiores aos da Metrópole entre os anos 50 e 70.
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