Artigos de apoio

Feitoria de Bruges

As relações comercias entre Portugal e a Flandres remontam provavelmente ao século XIII. Do ano de 1276 datam referências a mercadores portugueses na Feira de Lille, o que com certeza indicia que estes devem ter andado também por Bruges. Um decreto do tempo de D. Afonso III de Portugal enumera um conjunto de tecidos flamengos, que seriam exportados de Bruges em navios nacionais. E nos finais do século XIV, durante o reinado de Filipe, o Ousado, o comércio entre Portugal e esta cidade ter-se-á intensificado.
Os mercadores portugueses fixados em Bruges viviam numa colónia beneficiada por determinados privilégios, o primeiro dos quais outorgado em 1411 por João Sem Medo, duque da Borgonha, e depois confirmado por Filipe, o Bom, em 1438.
Este privilégio permitia que os membros da nação portuguesa tivessem direito a um regime especial, relativamente à pesagem das mercadorias, ao uso e porte de armas e à carga e descarga das mercadorias dos portos de apoio ao porto de Bruges no Zwin.
A pilotagem nas águas flamengas, os direitos sobre produtos como vinhos, ferros e frutos, bem como o seu transporte e armazenamento eram alvo de minuciosa regulamentação. Eram também permitidas as relações dos portugueses com os cambistas e proibidas as prisões arbitrárias.
Desde a data do privilégio de 1411, surgem líderes da "nação de Portugal em Bruges" com direitos jurídicos dentro da comunidade portuguesa, onde os seus elementos podiam criar os seus próprios estatutos; em 1438, esses chefes passam a ter o estatuto de cônsules, sendo-lhes concedida toda a jurisdição civil sobre os portugueses, exceto aquando de uma convocação perante a comuna de Bruges.
Esta comunidade lusa, em 1510, deslocou-se definitivamente para Antuérpia, permanecendo nessa cidade até ao final do antigo regime. Apesar desta situação, Bruges continuou a manter relações comerciais com Portugal após esta saída em massa. Bruges tentou, em vão, atrair alguns dos portugueses que partiram, durante o reinado de Filipe II. Para além dos fatores políticos, uma das razões que levaram grande parte dos comerciantes estrangeiros, entre os quais os portugueses, a abandonar a cidade tem a ver com o assoreamento do Zwin, que arruinou o seu porto e fez da cidade, na prática, uma cidade do interior. Por estes motivos, Bruges não mais recuperou a prosperidade visível nos séculos XIV e XV.
Como referenciar: in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [consult. 2014-12-18 19:31:26]. Disponível na Internet: