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forças sociais

Pode considerar-se, em sentido amplo, que toda a organização ou grupo social estruturado possui, em maior ou menor grau, uma certa força de ação, de mobilização ou de persuasão. Um partido político, por exemplo, constituirá uma maior ou menor força social, em função do número de militantes, da sua capacidade de mobilização, da força de atração da sua ideologia, em função dos seus maiores ou menores recursos financeiros, da sua burocracia, etc. As empresas, que são forças de produção, ou organizações produtoras de riquezas e de inovações, apresentam-se com maior ou menor força social, conforme são locais, nacionais ou multinacionais, em função do número de postos de trabalho que detêm, da sua utilidade social, etc. Em função disso têm maior ou menor força de concorrência no mercado, maior ou menor capacidade de criar empregos, apresentando-se como forças sociais capazes de negociar os seus interesses com o poder político. Em termos tradicionais, é de forças produtivas que se fala, conceito este que associa as forças de trabalho e os meios de produção.
Marx considerava que o desenvolvimento das forças produtivas era o motor do devir histórico. A sua conceção acentuava o aspeto de conflitualidade entre o proletariado e as forças burguesas, conflitualidade esta inerente à própria estrutura do modo de produção capitalista. Hoje, esta relação de força coloca-se entre trabalhadores e empresários, sendo os trabalhadores, na maioria das vezes, representados pelas associações sindicais. Do mesmo modo existem associações de empresários, que são forças sociais capazes de impor ou negociar os seus interesses de classe com os poderes instituídos.
Assim, diferentes forças sociais podem ser distinguidas: associações de classe, associações de trabalhadores, associações de consumidores, comités de cidadãos, partidos políticos, igrejas, movimentos ecologistas, ONG (organizações não-governamentais), etc. Muitas delas criam novos empregos, influenciando, muitas vezes, as políticas governamentais. Do mesmo modo, a família (as associações de pais, por exemplo), os grupos de notáveis ou de cidadãos que se organizam em torno de petições (contra o traçado e a localização de uma determinada autoestrada, contra a construção de um aterro sanitário), por exemplo, constituem forças sociais. Algumas destas forças constituem forças políticas, assumindo-se como veículo de determinados valores, estando presentes em diversos setores da vida pública (na luta contra a pobreza, contra a poluição, na defesa dos direitos dos consumidores, das minorias, dos doentes com sida, dos estudantes, etc.).
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