Formação para pais Formação para pais Atualmente, em Portugal, ainda poucos esforços foram desenvolvidos para ajudar os pais a tornarem-se mais eficazes na educação dos filhos, provavelmente porque se continua a partir do pressuposto que ser boa mãe ou bom pai é algo instintivo ou algo que se aprende no contexto da família de origem. Os pais são frequentemente culpabilizados pelos problemas das crianças e jovens. Quando algo corre mal, quase sempre existe um dedo acusador direcionado para as figuras parentais. Nas escolas, é muito vulgar os professores gastarem tempo e energia a lamentarem-se relativamente ao desinteresse dos pais, ao pouco afeto que estes demonstram em relação aos filhos e também à falta de supervisão em casa. Estas atitudes dos pais são consideradas pelos professores como as principais causas do insucesso dos alunos. Efetivamente, os pais são culpabilizados, mas não são ensinados (Gordon, 1975). Atualmente, em Portugal, ainda poucos esforços foram desenvolvidos para ajudar os pais a tornarem-se mais eficazes na educação dos filhos, provavelmente porque se continua a partir do pressuposto que ser boa mãe ou bom pai é algo instintivo ou algo que se aprende no contexto da família de origem (Ogg, 1977). Na verdade, o exercício da função parental resulta de uma construção progressiva, feita por ensaios e erros e, como afirma Satir (1997), educar os filhos é "o trabalho mais difícil, complicado, angustiante e esgotante do mundo. Para conseguir ter êxito é preciso dispor de toda a paciência, senso comum, tato, amor, sabedoria, consciência e conhecimento que [os pais] tenham à sua disposição" (pp. 221-222).Sendo esta uma tarefa muito difícil, torna-se ainda mais urgente o envolvimento de especialistas da Educação e do Desenvolvimento, no sentido de ajudar os pais na educação e desenvolvimento dos seus educandos. A responsabilidade dos especialistas neste âmbito é acrescida, atendendo a que é do conhecimento destes a importância do contexto familiar para o desenvolvimento integral do ser humano. Os laços afetivos familiares são fundamentais para a criança construir e preservar o seu sentido de identidade e para o seu desenvolvimento intelectual, social e moral (Lourenço, 1993).Na sequência de tudo aquilo que já referi e pelo facto de ser a responsável pelo Serviço de Psicologia e Orientação de uma escola, lancei o desafio aos elementos da Unidade Local de Saúde (equipa pluridisciplinar que desenvolve parte da sua atividade no Centro de Saúde da zona), no sentido de desenvolvermos conjuntamente, durante o atual ano letivo, um programa de formação para pais. O desafio foi aceite e o programa já teve início. Este programa constitui uma oportunidade para os pais praticarem competências concretas e procedimentos práticos, o que lhes permitirá aumentar a sua eficácia como pais. Apesar deste trabalho ainda estar a dar os primeiros passos, tenho já uma certeza: é nesta área que temos urgentemente de apostar!
Como referenciar este artigo:
Formação para pais. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-05-25].
Disponível na www: <URL: http://www.infopedia.pt/$formacao-para-pais>.
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