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Forte de Peniche

Para a proteção das povoações existentes na península de Peniche, D. Manuel I ordenou a construção de uma fortaleza. Com efeito, eram grandes os perigos que corriam as populações deste porto de pesca da costa ocidental atlântica, sobretudo por parte da pirataria inglesa que assolava toda a orla marítima de Portugal. Estrategicamente implantada ao longo do porto piscatório, a fortaleza de Peniche procurava, igualmente, impedir possíveis desembarques de tropas estrangeiras.
O castelo e as muralhas adjacentes foram planeados pelo conde de Atouguia da Baleia, Afonso de Ataíde, em colaboração com outros mestres construtores. Contudo, o plano só seria apresentado no reinado de D. João III. A cidadela foi a primeira área a ser concretizada, a partir de 1557, estando concluída esta primeira fase em 1570, em pleno reinado de D. Sebastião.
Em 1580, um exército inglês de doze mil homens desembarcou na Baía de Peniche com a missão de auxiliar as pretensões do regente do reino, D. António, prior do Crato. O seu objetivo era tomar Lisboa, que já se encontrava sob o domínio espanhol. Este exército britânico encontrou forte oposição nas cercanias da capital, o que os levou a reconsiderar e a retirar sem glória, reembarcando em Cascais para terras de Isabel I. Deste modo, Portugal foi abandonado pelos seus britânicos "amigos de Peniche".
Ao longo dos sessenta anos de União Ibérica, o Forte de Peniche teve pequenas obras de conservação. Mas seria no início do reinado de D. João IV que D. Jerónimo de Ataíde procederia à conclusão das defesas do forte. Uma lápide na entrada principal assinala o ano de 1645, altura em que os arquitetos responsáveis pela obra - o francês Nicolau de Langres e João Tomaz Correia - deram por concluída a sua tarefa.
Peniche e a sua fortaleza não serviram unicamente como defesa militar costeira. O edifício desempenharia também as funções de cárcere, como no caso de D. Diogo de Mendonça Corte-Real - secretário da Marinha e Ultramar do rei D. José I -, acérrimo crítico da política do marquês de Pombal, o que lhe valeu o passaporte para este calabouço.
Na primeira invasão francesa de 1807, Peniche caiu sem oferecer resistência. No entanto, as forças ocupantes raramente saíam, com medo dos grupos resistentes nacionais que a rondavam. Neste período, os ocupantes franceses entretiveram-se a mutilar os símbolos nacionais incorporados nas muralhas da cidadela. Mais tarde, durante as lutas entre Liberais e Absolutistas, Peniche foi alvo de novos ataques e pilhagens devastadoras. Alguns anos depois, a residência do governador seria consumida pelo fogo e não voltaria a ser reconstruída. Com a pressão urbana, resultante do crescimento populacional de Peniche, certas áreas da fortaleza foram desmembradas, ao mesmo tempo que o perímetro defensivo perdia importância estratégica. A sua função alternou entre abrigo para refugiados de diversos conflitos e presídio, esta última utilização tristemente célebre até aos anos 70 deste século. Desativada, a cidadela de Peniche vive agora em paz e ao serviço desta importante comunidade piscatória nacional.
O perímetro defensivo do forte aproxima-se dos dois hectares e divide-se em duas zonas: na parte alta de Peniche, virada a norte, situa-se o Forte da Luz, enquanto a sul se localiza a cidadela, defendida na sua entrada e cortina defensiva por um poderoso revelim. Em toda a extensão que comunica com a terra, a cidadela possui um largo fosso, transposto ao nível da porta principal por ponte de alvenaria.
Quatro são as portas que rasgam a imponente cortina defensiva da cidadela, respetivamente a Porta das Cabanas, a Porta Nova, a da Ponta e a de Peniche de Cima. Por cima das muralhas corre ampla esplanada protegida por largas ameias para peças de artilharia e guaritas de flanco.
A vertente sul da cortina pétrea implanta-se sobre as falésias rochosas batidas pelo mar. Nesta zona destaca-se um baluarte redondo, tendo ao centro torre sineira de vigia. No interior da praça de armas dispunham-se outras dependências, como a capela, os paióis, os aquartelamentos (remodelados no século XX) e a cisterna.

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