função (gramática)
O termo função tem conhecido diversas aceções consoante o esquema teórico em que se desenvolveu. Considerámos três aceções associadas à designação de função em linguística: i) função da linguagem, ii) função sintática e iii) função semântica.
i) Função da linguagem: têm sido apresentadas várias propostas para descrever as funções da linguagem humana. O psicólogo K. Buhler (1939) distingue três funções: a) uma função representativa, que reenvia ao conteúdo referencial, à realidade exterior; b) uma função expressiva, centrada no emissor e na sua postura afetiva e intelectual; c) uma função apelativa, orientada para o recetor num ato comunicativo.
Roman Jakobson (1963) revisita o esquema de Buhler e acrescenta-lhe novas funções, criando provavelmente o mais divulgado esquema comunicativo da linguagem humana. Jakobson define, no ato comunicativo, um conjunto de seis elementos, a cada um dos quais corresponde uma função da linguagem: a) destinador (ou emissor) - função emotiva ou expressiva; b) mensagem - função poética; c) destinatário (ou recetor) - função conativa; d) contacto (ou canal) - função fática; e) código - função metalinguística; f) contexto - função denotativa ou referencial. Em cada ato comunicativo privilegia-se uma ou outra função consoante o objetivo comunicativo.
André Martinet desenvolveu amplamente a noção de função na filosofia que serviu de base à sua teoria do funcionalismo. Para Martinet, a função central da linguagem é a função de comunicação realizada na troca de mensagens entre os falantes. Esta função é essencial na medida em que justifica a forma como se organizam as línguas e inúmeros aspetos da sua evolução diacrónica. Cada elemento linguístico vale não só pela relação que estabelece com os outros elementos no sistema mas também pela função que desempenha nesse sistema.
ii) Função sintática: papel desempenhado por um argumento (sintagma ou constituinte) no plano da frase. A gramática tradicional possui um sistema de funções sintáticas (sujeito, predicado, complemento direto, complemento indireto, complemento circunstancial, atributo, predicativo do sujeito, predicativo do complemento direto, aposto, complemento determinativo do nome, vocativo, agente da passiva) que são detetadas através das relações que os sintagmas estabelecem entre si ao nível da frase. Desenvolvimentos recentes na linguística, especialmente dentro do quadro teórico do generativismo, permitiram compreender melhor o funcionamento e as relações estabelecidas entre os constituintes da frase, através de outros métodos de análise para a deteção das funções sintáticas. A gramática generativa considera apenas algumas funções sintáticas (sujeito, predicado, objeto direto, objeto indireto, oblíquo, predicativo do sujeito, predicativo do objeto direto).
iii) Função semântica/ temática: papel nocional desempenhado por um argumento do verbo na frase. Além da função sintática, os sintagmas (ou argumentos) também desempenham um papel semântico que nem sempre é correlativo com a sua função sintática. Por exemplo, uma frase na voz ativa apresenta o seguinte esquema de funções sintáticas e semânticas:

Na sua transformação passiva observamos que as funções semânticas ou temáticas são mantidas, alterando-se apenas as funções sintáticas:

São várias as propostas tipológicas para as funções temáticas, de onde se destaca para o Português a proposta da gramática generativa (Maria Helena Mira Mateus, 1989, 2003) baseada na teoria temática (J. S. Gruber, 1967; C. J. Fillmore, 1968; R. S. Jackendoff, 1972) e a proposta da gramática de valências (Mário Vilela, 1999).
i) Função da linguagem: têm sido apresentadas várias propostas para descrever as funções da linguagem humana. O psicólogo K. Buhler (1939) distingue três funções: a) uma função representativa, que reenvia ao conteúdo referencial, à realidade exterior; b) uma função expressiva, centrada no emissor e na sua postura afetiva e intelectual; c) uma função apelativa, orientada para o recetor num ato comunicativo.
Roman Jakobson (1963) revisita o esquema de Buhler e acrescenta-lhe novas funções, criando provavelmente o mais divulgado esquema comunicativo da linguagem humana. Jakobson define, no ato comunicativo, um conjunto de seis elementos, a cada um dos quais corresponde uma função da linguagem: a) destinador (ou emissor) - função emotiva ou expressiva; b) mensagem - função poética; c) destinatário (ou recetor) - função conativa; d) contacto (ou canal) - função fática; e) código - função metalinguística; f) contexto - função denotativa ou referencial. Em cada ato comunicativo privilegia-se uma ou outra função consoante o objetivo comunicativo.
André Martinet desenvolveu amplamente a noção de função na filosofia que serviu de base à sua teoria do funcionalismo. Para Martinet, a função central da linguagem é a função de comunicação realizada na troca de mensagens entre os falantes. Esta função é essencial na medida em que justifica a forma como se organizam as línguas e inúmeros aspetos da sua evolução diacrónica. Cada elemento linguístico vale não só pela relação que estabelece com os outros elementos no sistema mas também pela função que desempenha nesse sistema.
ii) Função sintática: papel desempenhado por um argumento (sintagma ou constituinte) no plano da frase. A gramática tradicional possui um sistema de funções sintáticas (sujeito, predicado, complemento direto, complemento indireto, complemento circunstancial, atributo, predicativo do sujeito, predicativo do complemento direto, aposto, complemento determinativo do nome, vocativo, agente da passiva) que são detetadas através das relações que os sintagmas estabelecem entre si ao nível da frase. Desenvolvimentos recentes na linguística, especialmente dentro do quadro teórico do generativismo, permitiram compreender melhor o funcionamento e as relações estabelecidas entre os constituintes da frase, através de outros métodos de análise para a deteção das funções sintáticas. A gramática generativa considera apenas algumas funções sintáticas (sujeito, predicado, objeto direto, objeto indireto, oblíquo, predicativo do sujeito, predicativo do objeto direto).
iii) Função semântica/ temática: papel nocional desempenhado por um argumento do verbo na frase. Além da função sintática, os sintagmas (ou argumentos) também desempenham um papel semântico que nem sempre é correlativo com a sua função sintática. Por exemplo, uma frase na voz ativa apresenta o seguinte esquema de funções sintáticas e semânticas:
Na sua transformação passiva observamos que as funções semânticas ou temáticas são mantidas, alterando-se apenas as funções sintáticas:
São várias as propostas tipológicas para as funções temáticas, de onde se destaca para o Português a proposta da gramática generativa (Maria Helena Mira Mateus, 1989, 2003) baseada na teoria temática (J. S. Gruber, 1967; C. J. Fillmore, 1968; R. S. Jackendoff, 1972) e a proposta da gramática de valências (Mário Vilela, 1999).
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Como referenciar
função (gramática) na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$funcao-(gramatica) [visualizado em 2026-06-12 15:43:35].
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